sexta-feira, 10 de março de 2017

AUTOBIOGRAFANDO-ME II

Outra vez eu aqui de retorno ao meu estagio infantil, filmes reais de cowboy como Gringo não perdoa, Hércules, Sansão e Dalila e o Último comboio para Katanga faziam o meu Hollywood vistoso na tela do cinema sem cobertura e nós os principiantes da temática, esquivando na plateia os tiros do Xerife do faroeste. - Os gajos disparavam p´ra caraças, a última bala rompia os miolos do rei dos bandidos!

Como primogénito estava feito disco duro, programado para ensaios da absorção de vontades, laboratório dos pais temporões no ensaio de ‘male criado’ um a querer antecipar conhecimentos não adquiridos e outro a puxar orelhas para responder alto e em bom som um bom dia tios de mostrar boa educação nas pessoas. Virtudes!

Batas, professora, giz e cadernos, eu sob a carteira, iniciando a descortinar rácios aritméticos inventos por Sócrates, Aristóteles e Mendeleev, russos e gregos duma figa, mais velhos barbudos sem juízo, abandonados por mulheres por não terem tempo de cumprir as matemáticas exigentes das profundezas do quarto. Estão a brincar com mulheres, pensam é só assim nê? Tu é que dás a massa e ainda te obrigam a elogiar as unhas, estou paiado!

Fugas ao assunto não, menino Tchoia.
Calça voluntariamente arreada, uma lâmina fez o trabalho completo, prepúcio no pinico, deixei de ser Kinhungueiro. O sangue cujas gotas tinham vinte e quatro horas para estancar, sorte minha, era não ter tido o vício de fazer uso diário dessa ferramenta tão protegida entre calças e biquínis a luz do dia, ao contrário de Mendonça meu kota, que se entregou aos dezanove anos, com já alguns voos em pistas de lábios.

“Tio tenho fome, quero comer”. – “Vangula umbundo, kulo a ku niohõ ko”. 
O arrepio ao meu apelo à fome e ter pedido comida em português, valeu a reprimenda para nunca mais na minha vida, neste lugar de circuncisão, (tradução da frase acima) voltar a falar a língua de Camões aproveitada por Salazar para oprimir povos tugas de lá e de cá.

Eu que numa redação da terceira classe jurara junto da professora Odeth vir a ser padre, estava ai, com rasto no rosto encalhado entre o conflito dos ensinamentos escolares entregue a está pratica secular de preparação masculina para futuros campos de batalha.

Canções ensaiados ao pôr do sol e o alvorecer, ao fundo a voz da menina de treze anos que paquerada por meu irmão preferiu-me a mim, eu aceitei e transformei-a em cunhada do atrevido do meu puto. Sem raiva nem magoas, cada qual com sua sorte.

Nestes desfiles de coincidências, um filme inverso e já em longa metragem, levou meu pai à algumas bassulas de cuanhamas que batem feio, multas e cafriques por nestes treinos de adultices malandras, ele encaixou bebé na barriga da mulher do outro, já viram! Vindo com isso a descomandar os neurónios da velha Ngueve minha mãe, que nem sequer imaginava que passava as noites de casada com um traidor ao lado. Cabrão de merda!

Voltando ao meu caso, depois deste potencial de valores agregados, hoje por hoje, não sei não, se ainda assim, quero mesmo ser padre.

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