domingo, 28 de maio de 2017

O SHOW DO MÊS DE TOTÓ E A PORTA FECHADA DE TÂNIA

Abrimos a Porta à Tânia no Show do mês de Totó.

Mulher ‘juada’ essa Tânia! Tipo santa da muxima, numa ‘descontra’ lá estava maguelando no melhor amigo do cara.

Assim faço como, perguntava o cantor?!  

Enquanto as senhoras da plateia, numa visão em homologar que caso deste não é o primeiro e que são cenas antiquíssimas que não iriam parar por ai, aconselhavam o perdão, … PERDOA. Nós homens, nós os de pêlo no queixo e honras feridas pela mesma pergunta apelávamos para a CHARIA, … MATA, quais árabes truculentos apedrejando até a morte a mulher de apetites destemperados. “Abre a Porta Tânia”.

Outras coisas é azar, como bem diz e bem a minha linda irmã Cristina Silvestre. Já dissera um homem da minha aldeia, que; ‘coisas dessas não são para serem apanhadas’, caso aconteça, o azar é do marido ou namorado que teve a sorte maldita de ter aparecido na hora errada. Melhor mesmo é evitar para não andar a xinguilar.

São destas e outras mensagens do nosso quotidiano que o rapaz da viola fez passar e no decurso do show presenteou-nos com um músico que melhor cantou Bié até a data, nada mais que sua excelência o engenheiro Carlos Lopes embora me tenha sabido a tão pouco.

A noite foi dominada por guitarras a arma de arremesso de Totó perceptivelmente secundado por um outro AS, um promissor guitarrista, rapaz fantástico que não passa desatento para um bom apreciador, no entanto, sem desprimor, para toda a banda que se portou pela excelência. A noite fechou!


Agora, que venham os putos da orquestra Kapossoca vamos lhes assumir.


==== V  I  D  E  O ====


"Abre a Porta" - Tânia





------- G  A  L  E  R  I  A --------

















sábado, 20 de maio de 2017

JÉSSICA A DAMA DA VILA ALICE

“Ela é minha”
“É minha, eu é que escolhi primeiro”
“É minha, tu já escolheste aquele carro queres mais a Mboa?... É minha pá”. Discussão acesa entre os meninos de rua que tinham montado sua base no local.
Surgia como sempre em passo firme, vinte e dois anos vividos ao mais alto gosto, garota para encaixar em qualquer desfile de passarela. Cabelos soltos, negros e o tom branco na madeixa. O passo tinha a medida do pé, assumindo o calçado trinta e nove que equilibrava a ginga suave.
“Ela é minha eu hoje escolhi primeiro, tu já lhe escolheste ontem”
Os meninos de rua conheciam a sua rotina e entravam em delírio ao vê-la passar diante o Cine Atlântico. 
Click no remoto da chave, entrava para o BMW Série 7 num sai e chega como sempre.
Era tema de conversa durante as noites sem sono entre o passeio e o muro da escola primária, discussão em brasa depois de inalados 250 ml de gasolina em lata de Fanta que girava pela mão dos cinco garotos.
O amor se tornava ocultamente real e sofreu disso, um amigo que a visitará numa tarde destas, que ao sair a correr debaixo de uma chuva meiga vê os quatro pneus do carro vazios, era a vingança de cão por ciúme dos putos, que de longe espreitavam e “bem feito”, riam-se da punição, até ver chegar o pronto socorro para evacuar a máquina do intruso.
Entre a briga e discussão impulsionado pêlos demais Filipe o mais novo, ganha coragem e poem-se diante dela.
“Minha kota posso falar contigo?. – Podes sim.
“Quer dizer (coçava o cabelo) sim kota é para dizer, eu te kurto bwé”
“Oh obrigada, eu também te kurto, como te chamas?
A inesperada resposta caiu como estrondo de salva de canhão no cérebro de Filipe, o puto foi desequilibrando para trás e em três segundos com profundo apagão, pousa inerte os seus quarenta e três quilos no chão.

…(Continua)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Mudança de Paradigma|ABAIXO O IMPERIALISMO ACABOU MESMO!

A minha memoria entrou em parafusos, o meu corpo meio cahenche de banhas saltou sozinho da cadeira de fitas fabricadas na linha férrea da Cuca, ai junto ao Tunga Ngo, virei fininho quando me foi dado a ver as imagens de um dos nossos candidatos de peso a conferir uma visita em terras do Tio Sam.

Xe Jorge Washington! Eu não conseguia dissociar o monstro, o demónio diversas vezes retractado em slogans de revolta bastante mobilizadores «Reagan tira as mãos de Angola», «Valodia tombou nas mãos do imperialismo» na canção de Santocas.

Desfilamos pioneiros com botões rebentados da camisa cobrindo peitos de rola, calça rota no turugo, porque “mãe dele num cose, cú dele esta roto”. Nos assumíamos dispostos a multiplicar Ngangulas se o assunto fosse a desforra contra os lacaios do imperialismo. «Ao inimigo nem um palmo ‘sequer’ da nossa terra».

Custava-me acreditar que este imperialismo que mandou para cá os carcamanos podia hoje fazer-se passar por um novo player com bastantes benevolências a se fazer convidar para acordos de todo o tipo, qual kixikila.

Esta montagem da OPA e CIRs feito eu, dei-me conta só, com o braço levantado, mão cerrada em punho a gritar o velho slogan contra tudo que não entrasse no pacto de Varsóvia, feito órfão de uma era que não me deixa aceitar a alteração do paradigma dos tempos e ver encantados amores com a então tenebrosa OTAN dos pulas vermelhos tipo quilombos.

Welcome mister Tchoia, how are you?

“Yes , yes, estou bem meu kota.

domingo, 7 de maio de 2017

São Cenas Mizirmãs: TICHA DAS DEZASSEIS

Dezanove horas e quarenta e três minutos, o Marçal agita-se para viver a noite, de longe um toque de Kuduru, deve ser Puto Lilas ou Prata, pouco entendo desses nossos putos. Damas na flor da idade, sonhadoras em cheiros de banho e perfumes, cabelos lisos e cacheados limpos ou nem tanto assim, grupos com trajes de kilapis por pagar, destapam na gola o selo da China e Dubai ou Tailândia. 
Sorrisos provocando transeuntes e assim o final do dia corre para a noite que trás ao fundo lâmpadas em postes de betão, uma dúzia negando acender por falta de verbas, segundo a administração comunal. 
 “Boa noite vizinha Clara só agora do mercado”?
“Só sim Ticha e tu passaste bem o dia”? 
“Passar o dia até que passei, agora a noite é que não sei como será, olha esteve cá o Chico da construtora Teixeira DaSartes, pagaram uma grade e deixaram cinco para ti”.
“Cuidado com esses amigos do Chico Ticha tu és casada”.
“Clara não aguento mais essa vida, casada como? O Mingo desde que foi nomeado motorista do ministro chega sempre tarde, dois anos nessa vida é demais”. 
“O que é que tem, se ele vem todos os dias a casa! Tu pens…” 
 “Chega Joana, se for conselho dá nas paredes, vou arranjar um da função pública, homem que larga as dezasseis horas e vem direitinho para casa, estou decidida, quero vidas largas”.



sábado, 29 de abril de 2017

O ÚLTIMO A RIR RI MELHOR.

Na lógica de que o esperto só almoça não janta, vou apenas hoje ao Show do Mês, ver o Conjunto.
Roupa de saída acabadinha de sair num bis de vinco, passado pela tia Mena, mais a mãe grande assunta no repetir, ela já notou que nestas coisas de aprumo sou sempre derrotado por Mario Rosa De Almeida meu compadre e António Renato dois montanhistas showistas que não se deixam.
Não bisei nem vou poder faze-lo porque para o show de ontem já era, a não ser que depois do mosaico a Nova Eneree, me exprima com um show doa Jovito (Jovens do Prenda) a luz de velas, tiramos as lâmpadas coloridas do mam Correia o bebucho da equipa e saite penumbras e bouquets.
Senti-me representado itinerantemente o ‘no ponto rebuçado’ pelo luxo da planície, no livro ‘não rasgado da minha vida’ marcou presença ao show de Cristina SilvestreCarmen Paula MirandaEunice Machado.
Logo mais terei entrada triunfal no Show mais organizado desde que este país se tornou independente. (Sublinhe-se).
Ocinhalë Aliponde Malandrinhos pá.
Tradução: Quem não gostar que se mate já.

domingo, 23 de abril de 2017

O SÁBIO AVISO DO MANO LUCAS

Eu gosto de conversar 'muito' com mano Lucas por uma razão muito particular.
Ele carrega no lombo aquele ar matreiro de académico, astúcia ganha enquanto mancebo orquestrado pela escola Cmdte Gika que fez dele um dos exímios comissários políticos da escola filosófica de Carl Marx e Vladmir Lenine destinadas às FAPLA e a isso adiciona-se o extinto kuanhama que o liga ao sangue dos filhos de Onjiva.

Mesmo na sua humilde aparência facial, o tacto orgulhoso de kwanhama está lá!

No entanto a giza deste tema ronda em torno do resgate ou não de uma herança, destas poucas coisas que me restam da minha linhagem paterna Nhaneka-Umbi que se confina pelo Umbi, exactamente no Chulu, também no Cunene, cujos relatos me remetem apenas na sua missão católica.

Confessado que tinha de factos dois bois (fêmeas) deixados exactamente para mim como herança, passados mais de trinta anos, na minha fraca ambição e pouco apego aos kwanzas, reajustados ou desajustados, pouco importa, no mínimo trinta touros lá devem estar a minha espera a abanar a cauda.

Confidencio que estava ganhando coragem para cobrar o resgate dos meus bens herdados e chegar a eles ajudado pelo Google Map, não fosse a advertência do mano Lucas que avisou manter-me em primeira forma, porque nesta assanhadice de fobado (faminto), na vã tentativa eu sairia dai morto ou no mínimo com um mbumbi (hérnia) que me arrumaria ao estaleiro.

Porra fiquem lá com os bois, antes pobre vivo que rico no caixão. ‘Eu-ee, de jeito nenhum’!

Se quiserem e se isso vale a minha vida, posso trabalhar para aumentar mais dez vacas gordas e vos entregar como pedido de desculpas pelo meu atrevimento e tentar ver se ao menos consigo o que me foi deixado pelo meu sangue materno dos umbundos.

 ‘No creo em las bruchas, pero que las hay ...las hay”.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

AUTOBIOGRAFANDO-ME IV

Cacimbo frio e seco, Cassinga fumegava pelas manhãs neste clima a sul da Huila.

Era com mano Moisés que a pesca acontecia no rio Calonga a revelia dos nossos pais, o entra e sai da isca para a água, muitas vezes nem sequer um sardão caia.

De repente, num lance o anzol assanhado faz o QRF e aterra entre as minhas narinas, sangue a jorrar, virei mártir de Cangamba e de Kifangondo ao mesmo tempo, a dor aumentava na tentativa de puxar, era tudo a toa, não havia bombeiros naquela época.

Cada puxão atrapalhado em socorro, em vez de ajudar, o cabrão endiabrado do fio de aço afundava mais na minha carne.
Aquela pontinha curva do Anzol complicava mais a retirada, deve ser por isso que de susto os meus olhos que por si já nunca foram pequenos ganharam mais alguns diâmetros pelo medo.

Aiwé mano Moisés, tu assim me confundiste com bagre, corvina ou choupa?!

Chorei em todas as línguas nacionais e experimentei até o mandarim, se demorassem mais uns minutos a ser resgatado hoje me tornaria poliglota.
Não fosse um bondoso e ágil transeunte, o meu fim teria sido mufete na grelha de um ganguela qualquer, …caraças.

Chagados a casa, assunto encerrado, falar aos pais era pedir uma surra que nem o nosso provedor da justiça que fala muito português iria conseguir acudir com habeas corpus.


Sofri calado, sorte minha que naquele tempo as feridas curavam até com areia.

Ficar já calmo, nunca mais! Passados três dias estava eu outra vez com meu anzol em mão, desta vez sem o mano Moisés, quem sabe o meu calvário estava predestinado nas mãos dele!

Luanda - 15.04.17