sexta-feira, 30 de março de 2018

MAN BARRA QUERER SE MAGUELAR EM NOMES DE NOBRES.


Ultimamente tem andado com muita dor de cabeça, talvez não seja de alguma doença, mas da ideia de mudar de nome.

“Já fiz a gota espessa e deu negativo, a tenção nunca mais subiu, mas a cabeça não aceitava descansar de deixar de doer, nem mesmo quer ter sono depois da meia noite, os carinhos da Palucha já não lhe atingem o tutano”.
“Exame de SIDA não faço nem morto, nem em véspera de entrar na cova”. Inse Ndife.

Tomada a decisão, neste dia, o Pobre do Man Barras acordou cedo e ocupou o lugar na fila da conservatória, oito em ponto os serviços abriam e exclama: “Isso só mesmo no tempo de JLO”

Foi o terceiro a entrar na sala, respeitando a ordem de chegada, estranhando o ar condicionado que lhe soprava directamente para o peito, nunca mais teve este privilegio, a sensação saudosa do bem-estar desde que foi despedido da Brascabral por tentativa de gombelar a secretária do director, enquanto responde: “Bom senhor menino Doutor, o que me trouxe é a mudança de nome”.
“Bem, respondendo a pergunta que me perguntaste, eu sinceramente chamo-me João Aguinaldo de Sousa Nobre, mas quero mudar o nome para João Bicéfalo de Sousa Arguido”, quero um nome que dá lucro”.
O coitado do funcionário, por sinal recém-licenciado e estagiário de terceira, nem sequer teve tempo para respirar outra pergunta, viu-se desmaiado com o livro de registo agarrado, ainda tentou abrir um olho mas quando se deparou de novo com a cara do atrevido, preferiu pedir o segundo round de desmaio.

Meia hora depois surgiram sirenes da ex. DNIC e DPICs e lá estava Man Barras na PGR entregando voluntariamente os passaportes e os anéis, respondendo por crime de Peculato contra atentado a dignidade do servidor publico. Por não ter dinheiro estava a ser chamado por preso, pré-condenado ou Kuzueiro-arruaceiro, nunca com o novo nome literário que tanto esperava.

"Esse nome não é para qualquer um meu filho", falava a cozinheira enquanto entregava-lhe um prato de arroz cozido com olho de palma e peixe frito, "Você é quem na tua vida"?
Ove aveko andi!

quinta-feira, 29 de março de 2018

MAN BARRAS VÊ TUDO TROCADO


Sentado na cadeira de fita comprada a anos na CIPAL, Man Barras assiste o telejornal e abana a cabeça em cada mudança de noticia.
Sempre apreciou não só ouvir, mas também ver Ernesto e Analtina e aquela mulata do telejornal que não fica velha.

“Ó João será que a SIC voltou mais”?
“Qual SIC papá, essa é Tepea, não estas a ver a tua amiga Ana Lemos”?

O homem duvidava, “não pode ser, não pode” por não ser possível que, de repente todas as pontes partirem, as estradas malé, malé, as crianças estudam de novo em baixo das árvores, os hospitais parece armazéns de Makaiabu, tudo isso a ocorrer no melhor de todos os países de Africa.

“Esse jornalista perdeu o medo, talvez esta a falar, mas não esta falar em Angola, anda só mandar as imagens para nos ludibriar”.

Também defendia a hipóteses da SIC ter voltado de forma camuflada e para não apanhar outra berrida esta a usar indevidamente o logotipo da Tepea.

Não acreditava ser verdade, porque cada vez que o Ernesto começa a falar e acende os olhos, na boca só sai nomes de Generais, filho de que e tal e Ministros e vices das estruturas. O homem está tudo igual ao Rafael Kamaka-Angola.

“Será que estou a ver mal ou o problema é meu, (julgava-se da possibilidade da bula que chupará a mais de quinze anos ainda estar a fazer efeito no cérebro) João vem ainda mudar de canal, procura a Tepea”.

domingo, 18 de março de 2018

O 'DIREITO' POLÍTICO DE ATRASAR AOS ENCONTROS


Para ser sincero nem sei por onde começar a me debruçar sobre este tema, de tão cancerígeno que se tornou. Porque é que os detentores de cargos públicos acham-se no direito de atrasar aos encontros.

Pouco me lembro ou devem ser raríssimas as ocasiões que tais empossados a ´nos mandarem´ tenham sido a excepção a este defeito que se tornou regra, atrasando em abertura de reuniões, comícios, palestras, concertos, sem o menor sinal de cortesia.

Não importa qual seja o encontro os homens rejeitam-se estar a hora, excluindo paradas militares por razões da disciplina castrense, manter o pessoal em prontidão combativa, não abriga com a falta de obediência, ai sim, a hora é respeitada.

Em quase todos esses nossos homens e mulheres de gravata e caneta Monteblanc, admira-me a coragem ao destrato que dão ao cidadão, pasma-me o tempo que fazem-nos queimar por uma audiência e a insensibilidade por não perceberem que a vida é feita de boas maneiras, ética, consideração e respeito.

Esses tais certos dotados a rei na barriga, contraditoriamente exibindo relógios mais caro do mundo, para feitio, nem se quer se dignam desculpar-se pelo seu atraso e quando o fazem, depois tardar duas horas ou mais, nos levam a perceber que foi ‘apenas um ligeiro atraso’.

Pois isso ocorre por cá, numa ocasião em que no mundo mais avançado um homem no seu juízo, se envergonha pelo facto de meter gente a sua espera e pede demissão. Enquanto aqui, nem já!  
Wakamba o Sõi!


domingo, 11 de março de 2018

SÃO CENAS!


"Aí amor, és uma linda flor que brilha no meu jardim, tens o cheiro do perfume mais caro do mundo e nem consigo respirar quando estas por perto, não quero ficar sem o t...."
Quando chega perto da dita cuja, todas as palavras preparados desaparecem da cabeça, ah porque qual foi o teu jantar.
Até nem sei se era medo de que?


DE OLHO


Quando o PR pronunciou durante a campanha a vontade de combater a corrupção, achei ser mais um bluff apenas para boi dormir e nós ressonarmos.
No entanto, e por se tratar de um processo não tão simples assim quanto se pensa, anima sentir que entre o peixe miúdo já há alguma atitude, até porque é tão somente o lado mais fraco do londovi. (corda obtida do caule de arvore).
Percebe-se que é preciso arrumar a casa e me alegram os sinais, porque estão lá, o sr. faça-o vai dirigir o time.
De tanto melaço no pelouro não vemos sinais de alguém demitir-se por envolvimento em escândalos e enquanto isso não ocorre, nestas coisas de ver o trigo longe do joio, talvez sejam os bons que se retiraram. 
Também vale!


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

RÁDIO LUANDA E O HOMEM QUE CHOROU RANHO


Man ‘Rafaele’ soluçava e esperneava, de tal forma que não podia ser visto como lágrimas de crocodilos, a sê-lo então estaríamos diante um teatro apto para ganhar óscares em Hollywood.  
O pobre do homem dizia que se ia matar. “Vou se matar”!
“A minha mulher esta doente e tenho propinas por pagar na escola dos meninos. Ai wé.
Gemia feito um rinoceronte bravo e fazia ondas com o canto do choro, ora em nota alta, ora médio tom, ora baixo, ora baixinho mesmo. “Ai wé, fui burlado, ai wé todo o dinheiro foi, ai wé vendi as coisas de casa, ai wé pedi dinheiro de juro, ai wé sem fim”.
Ouvi-lo dava para imaginar que caia para o chão em trambolhões de desespero da cadeira e o coitado do Paulo Miranda e seus comparsas, tinham de levanta-lo várias vezes e dar-lhe o lenço do bolso a molhar num único espirro de pranto a ponto de serem necessários rolos de papel higiénicos para enxugar o molho de lágrimas, ranho e ramelas da cara do chorão cidadão.
Resultado; nem viagem de curso de hotelaria, nem emprego no (falso) hotel BelMar e adeus 200 mil kuanzas. 
“Mas então Mam Rafaele tiras toda a reserva do garrafão e entregas aos burladores?!” 
Agora, porque sou da Lunda e não tenho ninguém para me ajudar! Mesmo que fosses da Kibala ou da Malásia Man Rafaele. 
Juro que ao ouvir-te, senti emoções incontroláveis, ora sentia pena, até pensei em raspar a minha mesada da conta para te ajudar, confesso que também dei umas boas gargalhadas por não me lembrar ter visto um chorão de mil quilates, mas confesso ainda, que não me faltou vontade de dar-te umas boas galhetas.
Agora fica como? Até foste parar no aeroporto bem grifado para viajar ‘lá fora do país’, assim choraste toda a noite ou só xinguilaste diante os microfones do Kiandandu?!
Te burlaram papá, por teres desprezado conselhos.
Isso é assim mesmo, Ati, watimba kalete!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ESSAS COISAS DE FICAR ASSANHADO, UM DIA MORRES MESMO.

Esse aviso tem dentes velhos, pena é não queremos tê-lo como trunfo.
O jovem vincava na idade entre vinte e oito a trinta anos, pela clara e brilho a sobrar, o seu IX35 só não vivia na estação de serviço por não ser regra da prestadora de serviços de limpeza e aspiração.

Topava engalanar os vizinhos com um inspirador bom dia, todo o mais velho era visto como tio e caso fosse um pouco só aleijado tinha motivos para receber uma gorjeta para o mata-bicho. O rapaz era boa pessoa.

O molho sujou quando teve de comprar um outro IX35 para a esposa, que se desmanchava em terror de separar-se, caso o ano acabasse e não viesse uma máquina igual. “Ficas com a tua casa, deixo-te os filhos e vou para a minha vida” martelava-lhe a cabeça durante a noite.
Para não deixar os créditos em mãos alheiras, fê-lo. Só que desta vez, fê-lo indo à conta do cliente do banco onde ele galgava passos promissores. Um levantamento e um estorno, massa direito para a representante onde ela aguardava antes mesmo de abrir as portas para a venda.
Zero Km na mão, mas o sonho foi de um dia e meio. Sirenes de casa ao serviço, algemas trincavam os braços, onde há surra, vontade de ginásio desaparece, cadeia com o tipo, a vizinhança a lamentar o bom vizinho, enquanto ela, roupas feitas mandou-se com o amante deixando os filhos com a avo, levando as duas viaturas.

São coisas dessas que eu não aceito, tirando um dia que assanhado para agradar as moças que me assistiam, mergulhei numa piscina sem agua suficiente e dei de cabeça no solo em betão, sangue com água misturada, desmaiei, enquanto elas se riam. Hoje apenas vivo porque Deus me ama mesmo muito, as vezes até penso que sou seu filho único.
Okutongoka Kuosimbu.