sábado, 27 de agosto de 2016

[Oficina] Crónica | Entre o “leite moça”, o carro e a dúvida em continuar a jogar à bola!

(...) Em vão toda a boa-vontade do programa Kudibanguela, que em ondas médias, curtas e FM, desde Luanda “desconseguia” desmistificar o marketing boca a boca do parente confiado. Os cubanos tinham cauda. Não estavam longe de canibais, podem crer! O boato convidava as pernas a superarem-se no sprint. Do trabalho apurado dos cientistas da fofoca multiplicavam-se os resultados e juravam de pés juntos terem-nos visto algures a virem. (...).

                            

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

MAN BARRAS FOI SENGADO

|SÃO CENAS MIZIRMÃS|!
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Eram três da madrugada e o homem não parava de declamar, pisava forte no chão e batia com as mãos e a cabeça na parede enquanto citava cada verso, era assim a já uma semana a procura do motivo de tão pouca sorte.

Altas horas no meu quarto e tu bates a porta.
Recebo-te empolgado que até rasgo a minha camisa.
Encostas no meu peito cru e te devoro com dentes de aço.
Meu coração martela forte e me das vontades delirantes.
Ai se te pego um dia mboa Fina, filha do carpinteiro Marcolino.
Aiiii mboa Fina prometo que desta vez vou mudar, 
Vutuka, nga kudiondo chérie na ngai. (regressa, por favor).

“Então vizinho tanto barulho, durante toda a noite não nos deixas dormir à vontade, o que se passa”?
“Caro respeitável vizinho, estou a declamar poesia lírico-fulminante do rompimento delirante, uma versão de poesia interligada aos espíritos. Quem me tocar nessa hora, desmaia ou morre com raios ultracósmicos, quero de volta a minha Fininha”.
“Man Barras tu pensas que é assim que ela vai voltar? Ela fugiu mesmo esse barulho, basta beberes, não dormes, parece que misturas álcool com coisa estranha, qual é a mulher que aguenta isso, qual”?
“Meu vizinho tu não me enganas, sou macaco velho, eu Man Barras aqui mando e ela obedece, uma mulher que eu comprei com bois e cabritos no alembamento, como é que me deixa assim e por cima tu vens com estas trovas de meia tigela, em vez de ajudares ir a busca dela, ficas aqui porque fionko fionko (xiças) ”?

Ai minha mboa Fina das cochas longitudinais.
Busco-te com lágrimas de crocodilo e vem este vizinho linguarudo a me atormentar.
Sai vizinho, satanás amarraaaado, se não ajudas, não atrapalha, seu agitador intriguista.

Enquanto declamava, com a mesma violência ia procurando alvos para bater e quase apanhava as bochechas do vizinho que se retirava.
Garrafa de aguardente abaixo do meio, (a última que tinha sobrado das boas festas do natal) sem dar por isso a bebedeira passava dos limites, caiu ao chão e adormeceu.
Feito os corredores, a dama voltou à casa a pedido dos vizinhos que não dormiam de tanto barulho, era ela com uma criança ao colo, outra na mão, uma trouxa sobre a cabeça e uma tia que acompanhava para o regresso glorioso.
"Vizinha volta só no teu marido, vizinha volta por favor senão o coitado vai morrer, vizinha volta por causa das crianças, vizinha ele te ama". Lá ela cedeu aos prantos.
Ao chegarem vêm Man Barras deitado de bebedeira a roncar que nem um hipopótamo em crise asmática, sem acreditar, vendo-o estatelado, a memória dela regressou às amarguras vividas, revoltou-se e nem se desfez da bagagem, regressou para a casa de seus pais, onde sentia-se melhor.
“Perdão para esse louco, jamais, nunca Ndingui, (nunca mais) fica com a tua maluquice senhor Man Barras, me perdeste de vez, manda só a mesada das crianças, porque eu já estou a ir aceitar o outro homem que me quer, vou viver a minha vida”.
Essas palavras acordaram o homem, que sem forças para reagir a retirada da sua amada, da boca apenas saia ‘bla, bla, bla Fi-ni-nha’, voltou a cair e entrar num sono profundo, até não poder mais. Estava ditada a sentença do insurrecto Man Barras que prometia vingança . RAPAZ, QUERES MAS
QUAL AJUDA?
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Sengar - Separação de casal, geralmente as mulheres - abandonar o lar.



terça-feira, 23 de agosto de 2016

Crónica | Afinal, João Bernardo é kinhungueiro

 (Dar um click aqui) → Crónica | Afinal, João Bernardo é kinhun...:

(...) Roupa expulsa do corpo estava reparada a diferença, todos o olhavam esbugalhados e o ar de troça no ar. Vingança de chinês, afinal, “João Bernardo é Kinhungueiro”.

Nem tinham regressado ao bairro, a notícia adiantara entre o vento e paredes, boca de aluguer se desdobravam com a mensagem que se tornou canção; Nda opikila cilima, vanda vanda lo vate (Quando servires um não circuncisado, endireita o seu funje com saliva). (...)

domingo, 21 de agosto de 2016

FUI VÊ-LA À COZINHA


(Dar um click aqui)  Fui vê-la à cozinha

(...) Nove horas, manhã de um dia chuvoso e o sol que não quer chamejar assiste desde a órbita o empenho da dona de casa.

Cama quase vazia, apenas eu teimando abraçar o meu direito ao descanso, merecido ou não, ninguém para confirmar! Candeeiro ainda aceso sobre a banca e o laptop no seu corpo distraído sobre a cama, ia fazendo de mim o utilizador emérito na execução gráfica do desfile de contos que me vêm do cérebro. (...)

(Dar um click aqui, para ler o texto completo)  Fui vê-la à cozinha.

FOTO:Via internet.



MAN BARRA VAI A TROPA

|SÃO CENAS MIZIRMÃS|!

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Depois de ter reconhecido que ele é um fracassado, o trabalho imediato passou pela cura das feridas, comprou tintura e mandou recolher umas folhas de rícino para massagens, doía sempre que a esposa passasse álcool e pensos quentes no pescoço.
“Filho da mãe, até um sulano daqueles entrou para os caderões vermelhos do partido, enquanto eu que quase nasci ‘lá dentro’ fiquei de fora, embuchado, a chupar o dedo! Ele que fala blingadelas, ham, é assim que um licenciado fala a palavra brincadeira em português”?
“Man Barras cuidado com a língua, nós somos um só povo, uma só nação do kota Nguxi, norte ou sul só para orientação geográfica. Amor vira de lado para te passar álcool nas manchas do ombro. Caíste mal, caíste tipo um porquinho meu marido”!
Sarados os ferimentos, confirmada a sua pouca sorte na política, decidiu entregar-se à tropa, quem sabe em poucos anos chegaria a umas de general no ombro, ai não precisa estudo, basta saber dar muitos tiros és logo promovido.
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“Tondos pala a flomatura, esta correr seus maricas, vocês são meninas ou são homens? – Somos homens. Outra vez – Somos homens. Vamos ...rastejar, não patina, Pisa, pisa, …pisa. Pisa, pisa, …pisa. Atençãoooo, Alto”.
“P’ra todooooos firme. (Levanta a mão e faz a continência militar) Doutora Joana estão aqui os homens para a inspecção, ordena. – Manda descansar e entra um por um sargento”.
“João Aguinaldo de Sousa Nobre, mas conhecido por Man Barras. –Pronto. Tira a roupa, – Já tirei. Tira também a boxa – Xé mboa”!
“Xé mboa eu?! Estas punido, …vá, toca a cair imediatamente, cambalhotou, de braços, firme, “não vou aguentar, chefe estou tonto” firme pá, eu sou a capitã Joana Estremecida, NIP- 000233333433, envergo homens com costeletas rijas, ouviste? Não admito falta de respeito e ausência indevida de cortesia. Aponta bem o meu nome na tua cabeça oca”.
“Desculpa chefe senhora Capitã Joana Nip, desculpa mesmo minha chefe, mas aqui a chefe não vai tocar, deviam ter mandado um médico homem, isso é humilhação, estou a ver que tu também és atrevida chefe Nip, sozinha a pegar nas ferramentas dos homens”?
“Eu sou médica militar, tenho mandato e instrução suficiente para medir as vossas voltagens, tira a boxa ou mando chamar a PM”.
“Não precisa chefe Joana Nip, já que são ordens para te fazer feliz, podes mesmo pegar, olha que hoje vais ter de xaxatar mais de cinquenta mancebos, se o teu voltímetro não estoirar de arrepios é com muita sorte”!

Fala ai Doutora!

ESSA ARY ME ESCANGALHA

Raramente falo sobre músicos deste quadrante, não porque não os goste, mas por simplesmente julgar que já têm divulgação suficiente para a projecção merecida, não sendo por acaso que “Até eu já sei”.
Importa no entanto, realçar o poder de negociação de Ary, que fazendo uso de inteligentes estratagemas, junta com humildade o seu nome ao de outros músicos, para dar outra pigmentação aos seus temas musicais, saindo assim da ‘mesmice’.
Foi assim com Titica, C4 Pedro e outros, mas depois de Baló Januário sobre o pai lixado que abandona os putos, cujo PR jurou a pés juntos no congresso que vai dar tratamento adequado a estes carrascos da infância, vem com mais esta participação do cantor MIG, confirmar a hábil visão e a capacidade de encaixar conselhos. Não basta 'apenas' ter boa voz.
“Assim faz-se a diversificação, assim vou mesmo te dançar”.
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Sons, Cantos e Contos.
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Administrador repórter: Lauriano Tchoia


terça-feira, 16 de agosto de 2016

MAN BARRAS VAI MESMO A FORÇA AO CONGRESSO DO SEU PARTIDO

|SÃO CENAS MIZIRMÃS|!
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Man Barras não pregou sono, doía-lhe saber que em apenas um par de horas se definharia o sonho de não fazer parte do nicho de felizardos ao pelouro máximo do seu partido.
A tensão arterial disparava com todos os ponteiros ao impossível marco, o pulso media-se de cinco em cinco minutos, ora reagindo rápido outras vezes ao apagar do fôlego, coitada da esposa a fazer o papel de enfermeira e psicóloga daquela cabeça inconformada.
“Dorme homem, a vida não para por aqui, virá mais um congresso e quem sabe te seleccionam, tu também faltavas muito às reuniões do comité de marchas”!
Man Barras queria tudo menos conselhos e como flecha, ainda madrugada, saiu e abordou ao congresso depois de ter mentido aos guardas, ser o servidor do cocktail da mesa de honra.
Enquanto canta-se o hino, no minuto de silêncio com os olhos fechados em honra dos heróis tombados, entre os quais ele já se revia se não fosse eleito, aproveitou para sair da copa e sentou-se numa cadeira desocupada na sala.
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“Meu senhor como se chama? – Eu? Sim o Senhor. – Bom, há problemas? Sim, o senhor está em lugar alheio, por razões de segurança estes assentos estão codificados por congressistas e este não é seu, queira retirar-se e dirija-se ao protocolo”.
Mais tenso ainda, ficou sem saber o que fazer  e de repente o homem desmaiou em plena recinto, interrompendo o discurso máximo, em solidariedade ao membro em desmaios.
Dez minutos depois, no veículo dos primeiros socorros, Man Barras recupera os sentidos e enquanto o médico se ausenta para reforçar fármacos ele espreita e foge que nem mocho no zoológico.
Vendo de longe o cerco no portão da saída, esconde-se entre tambores de lubrificantes e surge imediatamente uma ideia de vingança.
“Já que não me incluíram na lista vão ver, ah ah ah ah”. Fiquem com os vossos V8, Lexus e tudo, mas eu venho!
Subiu ao tecto e enquanto levantava uma chapa, o homem tomba para dentro da sala, tendo causado um grande estrondo dada a projecção de dez metros de altura. Resultado;

quebra da perna, os dois litros de valvulina que ele pensava lançar para o interior da sala, cai-lhe corpo inteiro.
Graças a amnistia antecipada voltou para casa vinte e quatro horas depois e a esposa paciente, outra vez, faz-se enfermeira de aventureiros ferimentos.
“Man Barras desta vez, escapaste morrer” P'RA QUE SÓ!