sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

KATILIANA DEU UM SHOW SEM ESPAÇO PARA AVENTURAS

Katiliana foi ontem o embarque consumado para aquilo que uma cantora de classe se predispõe a providenciar. Estiveram disponíveis todos os condimentos para o arrepio da nossa pele, dado o estrondo da sua voz.

Sala cheia do Instituto camões, espaço disponibilizado gratuitamente, para absorver uma cantora com um potencial pouco comum nestes dias, onde o sprint para o imediatismo comercial despe-se dos argumentos técnicos.

O que nos foi dado a ver ontem não se faz! Só com dom, persistência e superação diária se chega aos limites expostos.
Estivemos diante uma cantora com o devido merecimento ao termo, por se posicionar no top daquelas que perfilam como delfim, no pequeno circuito de uma musica exigente.
Foi uma noite de interpretações, tons e melodias dificílimas que não permitem aventuras com o canto.

O show foi guiado por argumentos sonoros de uma banda entrosada e um som assertivo, que elevaram a cantora para viagens pelo blues e Jazz, introduzindo argumentos, Afro e Latinos, assim como um recurso ao fado e soul music.

Foi brutal a noite, foi bem conseguida a interpretação de André Mingas e Amália Rodrigues, Whitney Houston e foi sublime a entrada do veterano Filipe Mukenga seu único convidado com dois temas seus e o fecho em dueto num ‘mulogi’ onde ele e a anfitriã fizeram encaixar a sua voz no tema que levantou a sala ao enfeitiçar.

A plateia não permitia brincadeiras, pois na primeira linha perfilavam entendedores como Gerónimo Belo, Jomo Fortunato, Stive da Nguimbi produções, Anabela Aya, Agnela Barros o produtor Nino Jazz e outros que nunca sairiam de casa, se a coisa não fosse rija.

Eu e todos os demais presentes não saímos arrependidos de tão brutal evento, os sorrisos e as palmas voluntárias denunciavam este pressuposto de agradecimento que só uma cantora a altura de Katiliana poderia ocasionar.

Você canta muito pah!

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(…) Já Katiliana é uma voz que cativa os apreciadores de boa música. A angolana, em 2004, ganhou notoriedade em Portugal nos concursos “Operação Triunfo 2003” e Ídolos de Portugal. Formada em música, pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, artista aposta fortemente no blues e jazz.(…)


Video: Katiliana



G A L E R I A
Fotos: De arquivo - Google















sábado, 9 de dezembro de 2017

A BOA PARTE DO COPO DE VINHO

Diz-se que beber não é bom e que faz mal a saúde e que estraga dinheiro e que estraga lares e que prejudica economias, e que te põe sem vergonha a frente da sogra.

Certamente que todos estes poemas anti-caneca têm uma verdadeira razão de ser, mas duvido que esta gente esteja a falar na primeira pessoa e com horas de voo requisitadas. Até porque para dar conselhos somos todos profetas.

Pessoalmente, eu próprios, nunca me senti tão aborrecido em estar numa festa com as vistas brancas. Um bom palheto ou um fino a estalar, faz aqui uma maravilha no corpo, que só Jesus na casa. Um gajo conversa mais, aumenta a coragem de enfrentar um pé de dança, inventa toques estranhos de kizomba e não vê as horas a passar.

No entanto se te sentes bem com o teu sumo de laranja, ou kissangua doce não inventa, também bate, para vocês ‘dasgrejas’, galinha não segue pato, fica no teu canto e aprecia quem aumentou uns porcentos de felicidade.

Estou a pensar na decisão que tomei a onze meses em não pingar, não me vejo passar este natal sem no mínimo um Paulo Laureano, meu xara só, um 14% da adega Portuguesa ou o Nedburg, vinho da casta das terras de Mandela.

Quem anda bem contente com a minha decisão de não chupar a onze meses é a madame lá de casa, que me dava olhadas quando com um tintol na mão, ameaçando que voa do quarto porque não gosta de cheiro de vinho e que falo alto. Não sabias disso quando te Kanguei?

Oh Natal chega rápido para ver até onde chega a minha coragem, neste Bom Natal para quem engole, Bom Natal para quem nunca absorveu e Bom Natal para os que chupam as escondidas para os maridos ou os irmãos da igreja não lhes verem.

Quanto a mim, se querem o meu bem, é melhor esconderem a garrafeira, ou tapam ela com uma bíblia.

domingo, 19 de novembro de 2017

O DEMÓNIO VEM NÚ DESDE O LOBITO

[Por uma tal que nada canta nada e aproveita para mostrar-se sem roupa]
Saudade e viagens à canção da minha infância em noites de sunguilar: ‘liango, liango, poponha'.
Fugíamos medrosos que nem gatos escaldados, acabando a brincadeira ao luar, na timidez de ver surgir um fantasma todo nu, em chamas, nos recolher com os dentes afiados no pescoço e nos arrancar as tripas com as unhas.

Ora bem vamos ao assunto! Numa altura em que estamos a comemorar um período de boas vindas das novas atitudes sociais, vem do Lobito uma assanhada vestida ou despida de ciliango (Ler: Tchiliangu), uns dizem que deve estar possuída e há quem diga que foi à Ponta Negra buscar ‘migosta’, a nova marca de maiombola para atacar os tios cheios de vontade de beber água de bikini.

Ainda não a vi e espero que isso não ocorra, essas tipas não brincam em serviço, porque diz-se que enquanto ela se despe, basta olhares, lança-te um diabo que te arreia as calças em público e nunca mais te vestes. O azar não anda só.

E não é, que a descarada disse que vai continuar a ficar toda tchalala com os matakos de fora, com o argumento de que os que a criticam não lhe compram nada, citando mesmo, peças de roupa, comida e até carro.

Por filantropia se esse cabaz ‘mínimo’ como ela as trata, consegue mesmo reduzir o fogo da ciliango do Lobito, vou pedir a sua Excia que não anule de todo a encomenda, que no mínimo que saía um Lexus para apagar a chama deste fogareiro andante.

E assim vamos nós sem saber onde começa a fronteira entre as bruxas e terminam as figuras públicas.

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Glossário:
Ciliango - Bruxa
Migosta e Maiombola -Feitiço para atrair sexualmente homens.
Bikini . Roupa interior/calcinha
tchalala - desnuda
Matako - Nádegas/bumbum

FOTO: Retirada do mural da amiga Maria Gomes e inspirou o texto

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

ESTOU AQUI NA LAVRA!

Rosa Princesa Rita, é a musica dos Kiezos que mais gosto de cantar, muito mais pela parte do coro que convida (...) amba ku kurruma, amba ku kurruma, cada quale com o seu c…

Os dias correm e a esperança na mudança de paradigma, ainda bem que assim é e como é. Mas acho que estamos a mudar de REVU(s), porque os que eram já não são, estão a entrar os que não eram.

Sendo daqueles que tanto cabe num fato (barato), como num macacão e poder num as trocar o computador por uma enxada, estou na mesma torre sem me abanar. Calma e paz de espírito ‘santo’, é o quanto me animo por essa escolha.

Sempre disse aos meus rapazes para irem com calma, pois a vida é um jogo onde se ganha grão a grão. Não te borres e tenha fé, porque o que vier se for para ti, virá.

A diferença faz-se apenas não nos municípios, mas pelo posicionamento da cabeça, faz-se no funcionamento dessa massa branca que tata zambi designou chamar de cérebro, uns usam-no bem, outros tudo atoex. (Jair Rangel).

Olha, estou aqui na lavra, depois de uma batata doce assada que faz bem ao coração como orientou na rádio Luanda o doutor Muhenho, molho de tomate e frutas vermelhas para o controlo da próstata, lossaca para regular o colesterol. 'Com essas proteínas todas no corpo, quale mulher que não foge'?

Se morrer tão cedo não será por mexer na massa dos doentes da Malária e do HIV ou falcatruas no erário, não por ter sido exonerado, nem ainda por enfarte de não ter sido nomeado depois de mandar bocas para suas excias arquitectónicas.

Virei a cidade no principio do mês, para vender Kiabo e Banana pão e assistir ao Show do Mês do Carlitos Vieira Dias, o rapaz toca que toca viola, tipo tem feitiço!

Ondiangu yapa wé!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

MUGABICES & MUGABADAS

Sigo o jovem Isaias Tchipuco Gunga e os seus pensamentos, e neste caso, por força de um texto seu sobre os rijos septuagenários, onde ele faz uma análise dos sucessos e das intempéries por que se passa para se atingir esta idade de ouro.

Na boleia do seu texto, chamo aqui o termo ancião que se encaixa bem no conceito de idoneidade e maturidade, assim como o sentido de visão e de uma maneira segura, branda e séria de olhar para vida.

Ora essa! Então Mano Mugabe! Se essa é a simbologia do termo ancião, incompreendo-me ver-te numa encruzilhada em que tinhas tudo, mas tudo mesmo, para não cair na cilada.

Provavelmente no inicio da empreitada, tenhas tido uma intenção compreendida, hoje porém, o contrário seja a resposta que vêm de forma violenta com reflexos e sequelas para estas macabra façanha.

Não esta bom, contas feitas devias ter seguido o ditado que exorta; “a corda não se empurra, puxa-se”.

Man Mugas, é tácito que o ancião sabe, que a paciência tem limites, o ancião sabe, que quem muito aparece aborrece, o ancião sabe, que tudo tem um fim e sabe acima de tudo identificar o lado da razão.

Quero crer, que durante todo o teu sobado, nada mais tinhas por alcançar, somado em dinheiro(s), somado em fama, alcançado em mulheres e jóias. Tiveste tudo a teus pés e em mão de semear para o básico e viver a grande o a francesinha, amando a tua Grace da desgraça. Um pouco mais, ou bastante, já não fazia diferença alguma no capital acumulado.

Só espero que não te estejam a brincar nas bochechas ou em outras partes inimagináveis do insaciável corpo! Esticaste demais a corda e percebes agora o quanto eras vulneráveis.
Como ancião, se não sabias, tinhas tempo de sabe-lo, que enrolaste o saco a ponto do teu fim desenhar-se à este triste cenário.

Para lhe ser sincero, aqui deste lado, estou torcendo para que esta noticia não seja apenas uma mentira. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A CARAVANA, O PRESIDENTE E UMA CRIANÇA QUE SE BATE NO CARRO

Depois do jornal do dia, sentados em conversa de amigos, comecei a mudar de planos e defendia que; “há azares que dão gosto que nos aconteçam na vida”.

Quem me dera um dia ver a caravana a passar, a num acto glorioso e cheio de coragem oferecer no mínimo o meu dedo mendinho.

Eu que nestas coisas de aproveitamento não dou esquebra, fechava os olhos e só abri-los num hospital de Londres, porque Espanha já não estão a conseguir curar doenças de mbumbu. Se acham que estou a mentir, falem-me só quais dos nossos incomodados já saiu de lá curado. Digam só o nome sagrado de um!

Já que ninguém me responde e porque para um atropelamento de elite não se escolhe quadradinho, preciso conhecer desde já a rota mais frequentada do homem que está a dar cartas no momento. Quem sabe não me atingem de forma fatal no pescoço ou no crânio e poder acordar no hospital de Londres com a mão poderosa do PR na minha testa, ladeado pelo ministro das finanças e o PCA do BPC.


Se for para o meu bem, acho eu, ou tenho mesmo a certeza, que todo o sacrifício é pouco.

sábado, 4 de novembro de 2017

ADÃO FILIPE UM HUMANISTA QUE SE DILUI NA ARTE

Adão Filipe é um nome que se confunde com a arte.

Homem de porte médio cujo tamanho enterra no seu intimo uma sensibilidade que o leva as experiências múltiplas de dar sentido a vida.

Conhecido radialista e por força disto agregando por esta via, um mecanismo comunicacional que se traduz na diferenciação interactiva do seu modo de ser e estar na comunicação de entretenimento educacional.

Queiramos ou não a arte é uma questão de sensibilidade e um investimento desapaixonado por um mundo surreal, é senão uma abordagem profunda de conceitos filosóficos de ver, ser e estar na vida com olhos de outra grandeza.

Ela, a arte, se confunde no prisma agrido que nos deixa abandonados, uma magia única de viajar no canto de Salif Keita, Ndengues do Kota duro, Youssou N’dour e Tugila Tua Jokota, na poesia dos Griout e Alda Lara.

Este homem com sangue do Nambuagongo, faz juz a descoberta de telentos em novos valores, engaja-se na divulgação e produção, embalou-se no canto de Beto de Almeida e joga-se na valorização da nossa musica de forma única.

É nesta razão de viver que se confunde o homem que retractamos, este que através da musica tem dialogado com a sociedade, levando a canção deste povo às trincheiras de combate, a sombra da mulemba, a aos diferentes palcos, somando eventos originais.

Irrequieto na sua simplicidade, vê-se marcado por uma cultura elevada ao primeiro toque, leva a sua marca por onde passa, foi assim em Luanda, no Sumbe e hoje Benguela, esta Ombaka que acaba ganhando um cultor no sentido rigoroso do termo.

"Se um dia os homens se entenderem, farão de ti não apenas um vulgar desconhecido."


LT

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Adão Emanuel Filipe, actual director da rádio Benguela, onde promove actos culturais e a criação de uma banda musical de referência.
Colaborou muitos anos como radialista  na Rádio Luanda, tendo saído para dirigir a rádio Kwanza Sul.