domingo, 10 de julho de 2016

MAN BARRAS – O DOUTOR


|SÃO CENAS MIZIRMÃS|!

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O culto mal acabou, depois de um breve encontro a bessangana Marta foi direito para casa, respiração subiu de repente ‘tipo’ touro ferido, o caminho parecia amarelo e vermelho nas vistas, dando pulos num andar a canguru.”
“Meu filho vens aqui dizer porque estudei muito, afinal o que foste aprender é isso”?
“O que mãe, o que se passa esta hora de um bom Domingo”?
“Tu, não me falaste porque para te mudarmos de curso, o nosso dinheiro foi atoa meu Deus? Só entendi bem depois que o pastor lá da igreja me explicou tudo, até fiquei envergonhada no meio das irmãs das”esgreja”.
“Mas, mãe…”
“Mãe o que?! Tanto estudo, mais de vinte anos, mesmo com os dólares ‘niete’ te aguentamos, afinal passas o dia a trabalhar no lugar onde os outros se divertem a noite e vens nos mentir com palavra complicadas de ginecologias? É p’ra que isso Man Barras?”. VOU TE ORAR SÓ JÁ!

                                                                       
               

quinta-feira, 7 de julho de 2016

MAN BARRAS – Os quinze já são + 2 p'ra fora

|SÃO CENAS MIZIRMÃS|!

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No final do dia juntava-se sempre ao amigo de infância, dava corpo uma conversa tranquila, revisando cenas que faziam o sorriso surgir à toa, como habitual, as 20h00 ocorria a mudança de canal para o telejornal no lugar da novela, nano Gildo não dispensa por nada as notícias sobre política, nem desporto.
Saiu a manchete e o suspense veio ao ar:

“Esse soba, esse soba, está mesmo velho, coitado! O perigo já não lhe assusta e pensa pouco para o meu santo gosto”?

Não acreditava no que via e ouvia, o indicador que ele queria ver estático tremia como catavento apontando para a imagem na TV.

“Este é o próprio cassule ‘pirigoso’, disseram que desde que os outros saíram, as noites, ele passa pelo buraco da fechadura e só voltava no dia seguinte se quiser. Ninguém acreditava, os guardas não aceitam segura-lo por medo”.

“Se te enfia um borno (dizia-se) cais e levantas apenas na segunda-feira da outra semana sem falta, mas terás de apanhar dois balões de soro fisiológico aplicados pelo enfermeiro do bairro que estudou em Joanesbourg e paga-se com dólares”.

“Man Barras não inventa, esse rapaz é apenas o mais novo, inclusive nem sequer deve ter feito dezoito anos”.
“Estás enganado Gildo, essa calma dele não me compra. Olha para as vistas do rapaz e vê como refila! Já chamou palhaçada e tudo, agora esta a dizer que não acredita em ninguém e mandou avisar que não vai desistir. Pensas que é por acaso que a adjunta do tio batinas escondia as vistas com cabelo? É só por gosto? Esse miúdo é ‘enjoado’, sabes de quem é xará? Sabes?, Estuda a história pá".

“Calma Man Barras este teu medo é demais, isso até assusta”.

“Calma você pá, estes putos tiram tática dos livros, misturam com produtos de quimbundo e uma explosão rebenta tudo. Não sobra nem areia, nem árvores. Já ouviste falar de Hiroxima e Nagasaki? Queres curvas nos olhos ou no bigode? Vou para casa refletir o futuro”.

Man Barras antes corajoso, hoje porém trazia katolotolo no medo das pernas. Foi para a cama e nem olho pregou, acordava aos sobressaltos chamando nomes estranhos, ameaçava defender-se com cacos de garrafas e lâminas de barbear, ao mínimo ruido escondia-se nos panos da esposa que dava-lhe um ‘cocos’ na cabeça.

Na manhã seguinte entre pesadelos e sono, ouviu no programa de rádio Ngola Yetu que o homem que julgou os rapazes vai substituir o lugar deles no calabouço. Esse feitiço do puto é mesmo grande, OKO! SÒ PODE!

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Katolotolo: Chicungunha. Cocos: Pancadas com o punho cerrado. Oko: Expressão de admiração


                                                                       

DIVERSÃO - [FOMOS BEBER DO SORRISO DOS CANHANGAS]

[Se eu soubesse não casava com essa mulata enganadora]
Depois de tudo o que fizeram, faltou apenas essa música para me fazer vir lágrimas de mocho esperto por escangalho numa semana de ressaca.
Eu não aguento nestas coisas de nostalgia a subir entre um whisky e os kalundús do Umbi, Kibala ou Miconge.
Os presentes resumiram a tarde entre uma excelente cozinha, uma boa lábia, dois copos com todos os temperos e Canções ao Vento para a poesia.
Caso para dizer ao casal Luciano Canhanga e Irlanda Salongue e acho eu que todos diriam o mesmo: Vocês Não Prestam Ya!.




CRÓNICA - [SANDÓ - I]

Sorrateiro e precavido é na audácia onde se esmerava, actos continuados de conquistas faziam-lhe merecer a réplica constante do nome, muitas mães queriam-no para os seus bebés.
“Homem tem de andar com porrinho e faca Sandó, se ver coelho tem como matar e se encontrar carne não vai sofrer a espera de emprestar apenas no fim, corres o risco de ficares sem parte alguma para cortar”. Conselho dado repetidamente pelo meu.
Sandó é xará no acto nobre de emprestar o nome e a honra, muitas vezes faz-se jus e são herdados também os feitos e feitios! Que lhe não saia a ranhosice da velhice.
Creio ter-lhe surripiado a arte da conversa e olhar para além do desejo imediato, sem pressa e sempre com os dedos a contar os dias.
Quantas vezes não cruzamos para uma conversa singular! Quantas vezes hibernamos na noite que desconseguiu mandar-nos para o berço. Riamos-nos bastante e vezes havia que eu já chegava mesmo a abusar com o raio da paciência.
Éramos reais na visão, com a diferença única do grau dos sonhos ajustando-se aos objectivos.
Não bastava um copy and past ao BI, regras se impunham para o acto de pedir o nome. Um ritual, a benção e o brinde no bater de portas, pois, xará de verdade não é fantasia para entrudo.
A figura de sandó se confunde muitas vezes com a de padrinho pelas mãos de mimos que fazem passar pela nossa cabecinha cheia de fantasias, valendo os brindes para o orgulho e alguns tostões que metiam-nos na nossa pastinha.
A liberdade de abusar corrigia-se com o olhar atento da mãe ou do papá a impor regras.
“Deixa o miúdo brincar, deixa o sandó” – “Deixa não pai, esse gajo abusa. Xé sai das costas do avô, rápido”.

Pude perceber muito tarde que convergimos no fervor de uma amizade plena e que falta sinto deste sandó que jamais virá.
Hoje sou eu quem vai ganhando sandós, mantendo o devido cuidado de um dia não ser enterrado o nome com o corpo.

“HOMEM tem de andar com PORRINHO e FACA Sandó, se ver coelho tem como matar e se encontrar carne não vai sofrer para comer”
LT

quarta-feira, 6 de julho de 2016

MÚSICA - [AZWLULA - GABRIEL TCHIEMA]

A Música que identifica o cantor Gabriel Tchiema um hino ao romantismo, prémio critica do Top dos mais Queridos da RNA edição 2009, continua actual e faz morada nas diferentes apresentações.  


Titulo: Azwlula (Abre)
Música e Letra: Gabriel Tchiema
Língua: Cokwé

Tradução - (Comentário) :
Abre a porta do teu coração e ouve o meu clamor. Pois, desde o dia em que te conheci, nunca mais dormi. Os teus lábios que beijara, nunca mais esqueci, a tua boca tem feitiço, fez-me esquecer todas coisas.
Abre... abre a porta do teu coração, (refrão)
Abre... deixa-me entrar.
Nos meus pensamentos só tu dominas, nos meus sonhos tu és sempre a personagem principal.
Na hora do comer, no lazer... tu moras no meu coração.
Fui ao kimbanda e disse-me, que amar não é doença e se quiser sentir-me bem, tu és o único medicamento.
(Refrão...)
                                             Video da música "Azwulula

Titulo: Azwlula
Música e letra: G. Tchiema


Azulula pito rhia kumbunge ye
Azulula wive kwita tchyami
Tchize tangwa nakunhingikine
Ami Thulo tchishi kwamona nawa

Mivumbo ye nashishile
Tchishi kuivulama
Kanwa rhye rhikwete vulama
Rhyangu vulamisa yuma yeswe

Azlulula azulula pito azulula  (2 vezes)
Rhya kumbunge ye
Azwlula azulula pito azulula
Ngwetchye ngu djile

Kumanhyonga jyami yena ha yena
Ku ilota yami yena
Tchipwe hakurhya mbunge kurhi yena
Tchipwe nhi massepa jyami ngurhi mbunge kurhi yeneee

Ku ngombo nguna kaya ya ngutahila ngwo
Ngwo kuzange hi ikola ko
Ngwo nhi the ngunazange kutwama kanawa
Ngwo ithumbo yami yenaaaaa

Azlulula azulula pito azulula  (4 vezes)
Rhya kumbunge ye
Azwlula azulula pito azulula
Ngwetchye ngu djile

Unana unana... (Até ao fim)







*** Uma entrevista do cantor***
https://conexaoafrica.com/2016/05/03/programa-conexao-africa-encontra-gabriel-tchiema/



[MAN BARRAS contesta a saída dos 15+1 e o outro que ficou]

SÃO CEMAS MIZIRMÃS
Saiu pela porta da sua casinha com a camisa meia posta até ao ombro direito, a outra parte ia sendo vestida enquanto corria como um raio endemoninho. 

“Esse soba quer assunto, o homem quer fazer destruir o bairro, esses homens são muito perigosos, matam-nos todos de uma vez e acabou-se, estamos fritos”!

Resmungava em voz alta sem ter-se dado conta que um dos pés ia descalço. Pelo ímpeto de cada pisada no solo, qualquer prego que se atrevesse a desafiar aquele piso do pé grosso sairia gravemente maltratado.

“Man Barras não estas a ver as pessoas no caminho? Quase rompes a coitada da velha Mafuta que mal se aguenta com a bengala, nessa tua pressa, então, o que é que viste”?
“Você fica só ai Angelina isso não é assunto de mulheres, vai só tratar a kizaka de feijão para aquele teu marido todo fininho. Naqueles ossos andas aproveitar o que”?

O homem galgou alguns metros mas regressa a transpirar ao lembrar-se que seria pecado não prevenir as pessoas à evitarem o pior.

“Olhem minhas senhoras, controlem bem as crianças é capaz de ter guerra ainda hoje a noite, …vocês não ouviram que soltaram ‘Os mais de dez’? Não ouviram”?
“Vamos saber como Man Barras, se nunca lhes vimos, eles são como? – Mizirmãs, são perigosos e o ‘mais terrível de todos’ ainda ficou 'lá dentro' para lhe acalmarem porque ferve de kalundús, é o 'mais miúdo' mas o que te faz não é de bem? O rapaz nem sequer te pergunta, te arranca o olho ou pescoço com um borno, ele é que escolhe o que atacar no seu corpo”! ~

Os gestos com a mão e a cabeça davam a impressão que via-os a escassos metros, enquanto os pés pulavam como se estivesse a fazer exercícios de aquecimento pronto para uma São Silvestre de fugir. 

“Man Barras, eles já fizeram muita guerra? – Nunca fizeram, mas estavam quase! Quantas casas já partiram?- Nenhuma, mas querem partir todas casas do mundo, só que não lhes deixam. Então porque que são perigosos? – Também não sei, mas não gosto nada deles, até porque um deles, o latom queria se matar a fome na cadeia, já viram essa coragem toda, essa pessoa assim é pessoa”?

Mas ó Man Barras, onde é que viste ai o fumo da guerra? Assim pensas que o Soba Grande fez mal manda-los para casa?! Filhos alheios podiam só ficar lá dentro só porque tu és medroso? Pede ainda para te fecharem cinco dias ou mesmo dois, se não vamos ver ficaste pele e osso! Você só ‘sabes’ pôr bom gindungo nos olhos dos outros. Vai lá OKO!


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A FIGURA

João Aguinaldo de Sousa Nobre, de nobreza só tinha mesmo o nome, trapaceiro da última estirpe, faltava apenas o ensaio da morte para detê-lo das trafulhices. 
Quando adolescente ajustava pulungunzas em cenas de pancadaria, espalhava surras atoa no coitado do Pascoalito filho da vizinha Minga, o puto alheio era o balão de ensaio, o próprio batuque em ressonância!
Mais alguns anos cresceu e ganhou massa orgânica, pobre mãe arrependia-se não tê-lo desengravidado na gestação. Rezas, lamentos e curandeiros só pioraram, era desde então o famoso Man Barras, fazem quase três décadas de vida e o homem não se ajusta.
...
Kizaka- Folhas cozidas de Mandioqueira. Kalundús- Espíritos/Maus. Latom-Raça mista entre branco e negro. Pulungunza – Força.

terça-feira, 5 de julho de 2016

MÚSICA - [TRIENAL VS TOTÓ]



Gosto de Totó. Eu fui ver Totó na IIIª Trienal de Luanda.
Não tendo duvidas do potencial do músico em si, convite feito aos meus petizes, só as meninas aderiram e deste modo totalizamos quatro enfrendadores do frio brando a escassos metros do mar.
Perdemos duas músicas dado o raio do engarrafamento provocado por um ‘malfeitor acidente’, mas a fé nos encorajava a chegar no sábado ao Palácio de Ferro e poder cantar a quente ‘Luz’ do álbum dos Génesis.
Vieram outras músicas e a viagem fez sequência nas obras do cantor ao longo de duas décadas de carreira. A juventude dançou e o palco foi várias vezes assaltado por emoções e fãs reencontrados com a música e o músico.
Subia o show, os presentes vibraram e eu também. Foi bom de se ver o cantor e a banda em sintonia, num concerto com originais e Afro-fusões que marcou a arte do bem executar.
O lema sempre ditou que quando o músico é bom e segue a linha, a banda quase faz-se com: Nino Jazz, Maio Low, Dilson Petter D Groove e desta vez o irreverente Toty Sa´Med.
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Totó ST faz-se intermediário de gerações muito por insistir em afirmar-se num estilo de música com uma doze de complexidade e própria para exigir bons gostos.
Este filho vencedor do Bié defende com intransigência os usos e costumes de um povo e os reflexos vemo-los nos ritmos, danças e língua que trás á tribuna, feitas contas em ‘Luzingo Malembe, Ame ndi kussole’ e outros temas seus. A-D-O-R-E-I