sábado, 11 de agosto de 2018

FUNGE DE OVO COM CHOURIÇO


O meu velho falava pouco, mas tinha umas dicas que me deixavam de boca aberta: “Olha filho quem dança bem, não se mexe muito”.

Vendo bem a coisa no ângulo certo, aceito que é verdade, pois, já assisti bailarinos como Mateus Pele do Zangado e outros tantos onde incluo o meu amigo Man Sebas, cidadão de Ndalatanto que sabem trabalhar bem a dama na pista, coisa de dança de deixar o lábio caído. Gajos que dão medo se a tua dama dança com ele, porque depois disso, esquece.

Para vos ser sincero já tentei fazer o mesmo, mais de alguns passos básicos para não ficar envergonhado na festa não passo. Começo a acreditar que o meu corpo foi feito para outras coisas, ou então, só com muito treino do mestre, professor, doutor em dança Sakaneno João de Deus.

São coisas descomplicadas que me deixam deslumbrado, de tal forma que começo a acreditar que as coisas simples acabam sendo as melhores, tanto mais que sempre que me encontro diante um bom funge, (de bombo) com molho de ovo com chouriço, oh meu Deus, os meus espíritos desaguentam concentrar-se nesses mambos que levam Kachup e Mayonese e por ai além, de tal forma que ai passo a concordar com o meu compadre Wagia; Kuala okuwaba, muvu ndengue panguami. Tradução:-Onde tem coisa boa, o ano (365 dias) se torna muito pouco.

BOM SÁBADÃO!
  
Funge de ovo e chouriço 
Ovos: 4
Chouriço: 2
Tomate maduro: 1
Cebola: 1
Alho: a gosto
Sal: a gosto
Preparação:
Faz-se o refogado só com o tomate e alho picado.
Junta-se na mesma panela o chouriço, depois de batido e bem cozido, a cebola em rodelas, os ovos já cozidos e descascados.
Deixa-se engrossar até o molho ter sabor de chouriço.
Coloca-se água num recipiente a ferver. Quando levantar fervura adiciona-se a fuba de bombó e mistura-se tudo muito bem até ficar uma massa homogénea.

domingo, 5 de agosto de 2018

O BAR

A nova Energia levou-nos ao BAR, onde o alívio de um copo de fino cujo conteúdo rasga gelado garganta dentro, buscando ganhar seu espaço entre nós.

Encantos é desencantos de uma noite de boémia, o garçon para a escuta, atento a confissão incompreendida de uma dor do queixoso que abre a boca titubeia e nada diz.

Levou-nos (o bar) a sentir desejos e frustrações de um desespero amoroso, angústias de uma despromoção a força ou a seu pedido “que estamos com ele” nesta moda, quebrando a jornada de anos dedicados na indústria laboral.

Um cigarro e um whisky queimando a garganta. gajos, gajas, almas desengajadas buscando consolo na canção de Alcione de Frank Sinatra e de Tom Jobim.

Negócio fechado no chuto do charuto havaneiro, paredes velhas do corredor do bar, o entra e sai à casa de banho, para aliviar bexigas enchidas num gole de cerveja. Nesta hora a descarga alivia, em Teresa Ana, minha senhora, e assim na rapsódia.

O bar é este mundo a parte de interligação de amores e negócios e intrigas e confissões e paixões. Este bar de sonos desconseguidos que não chegam e se propagam no Chipalepa de André Mingas.
O fumo do cigarro, música leve, um par de dança do casal que ainda resiste, descontracção para limpar a alma da passada no pé no bar e do estrangeiro que desconsegue a ginga do nosso semba.

O Bar que se confunde com Djavan, no solfejo do saxofone, e na guitarra embriagada de Tedy Singui.
São duas da manhã e o cálice ainda vai a meio, o bar é esta mística da noite e da lua que se juntam no despertar e acordar com Ray Charles, retractado nas vozes de Kizwa Gourgel, Gessica Areias, Gary Sinedima, Bruno Netto e Jay Lourenzo.

Enfim, “O BAR”!




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Video - Show do Mês - O Bar


G A L E R I A




























Sons, Cantos e Contos
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Fotos: Show do Mês

Repórter/Administrador: Lauriano Tchoia

sábado, 28 de julho de 2018

VIZINHO, …VIZINHO TEM CARA DE PAU, PORQUE? …NÃO QUER FAZER AMOR COM A VIZINHA


Essa música desceu de repente do meu cérebro aos lábios. “Vizinho tem cara de pau”. É sem dúvidas uma super quizomba de Beto de Almeida, retocado numa nova roupagem de Dom Caetano que na malandragem do semba aplicou o quimbundo na letra. Aquilo é kwiar o que?
Há musicas e musicas, mas esta é eterna.
A maka do vizinho parece daquelas com cara de pau cuja culpa não vem só, só que também há vizinhas que não facilitam o conselho da mamã Kwiba “Recebe bem o filho alheio, foi apenas um acidente de juízo que lhe faltou. Minha filha homem para casar esta difícil”.
Já foste acudido, para já, …não. O pobre homem recebeu o salário e foi para a desbunda com os amigos e amigas, (tim, tim, tim) telefone desligado ou fora da área de cobertura da rede, vida mulata e coloridas noites de penumbra, saiu Sexta e voltou Domingo, era assim todos os meses, e ainda perguntava por caldo e se isso é ‘male’?
Bom ou mau, o pior é que depois do bolso furado agravava a tensão no cubico, porque o malandreco entendia, não querer fazer mais amor com a vizinha, apenas por ter cara de pau. E é que, …é male?
Bateram reuniões, banho na Muxima nem sequer ajudou. A dama quer bazar, o homem quer se matar, com esse assim, como ficam os conselhos da mamã Kwiba nisso ai?!
Raiva grande neste investimento de pessoa vizinha!
VIZINHO TEM CARA DE PAU, PORQUE? …. NÃO QUER FAZER AMOR COM A VIZINHA. (uba uba)
BOM DOMINGO

I10, O D’AGOSTO E O PANDA


A propósito da semana que finda, o que mais me agrada, no sentido mesmo de kuiar, foi a vitoria do D’Agosto contra um par de Zambianos que nunca foram superiores a nós nem pintados. Se a métrica de comparação for quem entre nós e eles já foi a um mundial de futebol, neste caso quem finta mais somos nós.
Antes mesmo do jogo do meu D’Agosto a coisa que espantou o meu amigo Gallego (cubano) era saber como é que aqui nesta terra uma pessoa qualquer sem lavar a boca com pesdodent, fala a torto e direito, até na rádio o nome de um comandante dos bang bang, por ter dado umas cambalhotas enviusadas em frente ao Xiami. “Isto aya en Cuba és impossible”, enquanto isso aqui até dá um certo gozo, pois que, na pele de figura pública, não vale o acto mais o nome de frêgues.
Na cabeça de algumas pessoas, cmdte não é “pessoa”, ah porque ele não deve conduzir e andar sem segurança, ah porque não pode ir numas ‘piquenas’, com muita pena da minha parte para as vitimas, que alguns também já questionam se foram fazer o que ‘de noite’ no ‘capinho’.
No entanto o que o meu amigo cubano, também treinador de boxe, que parte os cornos de verdade a qualquer um, não esta a gostar nesta terra são os delinquentes. Gajos que te agarram e por cem kwanzas te abrem as tripas da ginguinga ou actuam homens e mulheres em partes intransitáveis do corpo.
Conversa vai, conversa vem, onde eu e o meu kamba cubano nos pusemos de acordo foi que, ainda é cedo para esse comandante morrer assim à toa tipo galinha da kikovo num acidente, muito pelo salu de limpeza aos marginais e aos chupetados de verdade que ele esta a fazer na cidade.
Papá Panda se dizem que você não chupa, pensaste que I10 era o que?! Primeiro trabalha, depois podes se atirar em quantos Starlet quiseres.
(Reitero os meus pêsames às vitimas)

sábado, 21 de julho de 2018

MOSTRA A CARA

Nestas coisas de ir poliandrandro ou talvez não, a reação cai num vigor de protecionismo ao acto de fazer dó ao "male criado" com vários homens.
Já uma psicóloga me havia confidenciado que quando a reação é brusca tem gato escondido por de trás.
Até podia não serem todas as kitias na mistura, ...já que, se defende tudo para madres Teresa fora de Calcuta.
Neste juízo fico no banzelo sem saber se a maka é o "termo ou o acto". Tal como não gostar de feijão mas a dita sopa.
...já que, se diz estarmos mbora tão bem nesse mambo levantado pela mamã Pimenta, (cairia bem chamar-lhe kahombo), qual seria na verdade de dez por um, o número certo das kitias no cenário.
...já que, nesta pista não se pedem direitos iguais e a estatística do CENSO não meteu esse indicador no inkirikie, acho que só padres na área para dismestificar a estatística por via da confição.
Afinal há ou não há poliandras?
É assunto mba!

MAIS VELHO AGUADO


Esta mensagem vinda da minha mãe, era sinonimo de problema grande e se o assunto fosse do fórum doméstico, tinha quase sempre a certeza que se referia a mim, por uma razão muito simples, … por eu ser o primogénito.

Custava-me entender porque eu era comparado com a água, talvez pela sua abundancia entre os rios, ou pela reacção das ondas do mar sem direcção, uma espécie de camarão que dorme e a onda poder levar.

Para mim esse termo vindo da boca da dona Angelina Ngueve, penso que me chamava ao factor de responsabilidade e responsabilização diante os meus mais novos, queria dizer que eu estava nomeado chefe por inerência da idade, querendo ou não, eu estava frito para assumir o cargo.

Bom… olhando nesta perspectiva hoje em dia quase todos seriamos “aguados” sem precisar ser ou não primogénitos.
Se pensar nos desvios dos nossos comportamentos, onde todos se despem, onde o mata aulas é o correcto, os gamanços do erário público ser moda, um vira-se quem poder na onda de Mobutu, Mutu Na Mutu o Bongisa.

Olhando no mesmo prisma que a minha velha, digo-vos na verdade, que já não há tanta água para molhar mais aguados. LONGUA KUNA!


sábado, 14 de julho de 2018

ENQUANTO O FRIO APERTA

Era um adolescente como os outros, e o banho colectivo entre rapazes ocorria aos sábados num riacho que mandava a água para o rio Kuhoñamua na Kaála.

Confesso que tinha dificuldades em baixar e levantar corpo feito baloiço, num vai e vem para tirar a água com as palmas da mão unidas e lança-la ao corpo.

A coisa que nos dividia era ser ou não circuncisados, durante o banho, um gesto mal feito e ser identificado com o prepúcio, caia como catástrofe difícil de resgate que nem os putos da Tailândia. Sabiam que temos por cá alguns mais velhos também da Tailândia arguidando na kuzueira? Esses atrasaram no business vieram num mau tempo.
  
Entretanto, era nesse frio que tinha de se aguentar a estiga e esperar para a circuncisão, para o corte do prepúcio, diziam que cheirava mal.
Aviso que valia a pena tirar a kinhunga ainda mais jovem, até os quinze, dezasseis, sem hábitos de adultos. Nesta coisa sofreu bastante o meu kota Mendonça que chorava que nem bagre de Calumbu quando a cena com ferida pedia apetites femininos.

E parece que tinha horários fixos para ele chorar, era sempre as vinte e uma horas e as cinco da manhã e nós os putos riamos, sem compreender que o mano Mendonça já tinha algumas horas de voo.

BOM SÁBADO AVOIO