quarta-feira, 8 de março de 2017

A NOSSA CONDIÇÃO DE MULHER

“Antónia lava a loiça, ouviu? Olha limpa o chão e cuida bem da sua irmã. Ela ainda dorme, quando acordar faz papa para ela e depois de comer dá-lhe um bocado de quiçângua, engoma também a camisola do papá e o calção azul que ele mais gosta de usar quando vai ao bar com os amigos”.

“Mamã volta cedo a ver se resta pelo menos uma hora para eu brincar com as minhas amigas, está bem”?

“Não tenho a certeza filha sabes que a fuba vende mais ao final do dia quando as donas de casa preparam-se para fazer o jantar, não posso perder a dikomba, até porque amanhã tenho de pagar a propina do teu irmão antes que lhe expulsem da escola”

“Mamã então não temos o direito de gozar o dia oito de Março”?

Temos sim minha filha, a nossa condição obriga-nos a gozar este dia com suor sobre o tanque de lavar a roupa, A nossa condição obriga-nos a gozar o dia nessa “condição”! 

segunda-feira, 6 de março de 2017

O PRIMO COMO IRMÃO DO PÃO GIGANTE DO CACUACO

Depois do mata-enteado este veio provavelmente harmonizar os sub-estigmas.
A objectiva ou a falta de perícia no trato da imagem não me permitem apresentar o tamanho real do seu porte físico, (um gajo também não pode ser especialista em tudo).
Ao devora-lo eu ficaria apenas por um, mas os putos de casa manguitam com dois e as meninas entram no desafio.
Cada 50 seria o ideal mas os tipos obrigam-me a duplicar a doze na aquisição, deste novo actor que se entendeu chamar por BEBUCHO QUE KWIA. Angolano 'nomeia' Hoko!
"Vou bumbar então aonde Beto de Almeida"?

sexta-feira, 3 de março de 2017

AUTOBIOGRAFANDO-ME

Consta dos autos de uma conservatória dos registos civil que eu nasci na Caála, aqui um a parte para as varias apreciações que assumem o ‘fui nascido’. Sim, nessa Caála do Recreativo do futebol, do Kalupeteka profetizante e do Mi sob Mosquito que no final de tudo, quem sabe, virilmente aconselhado, desencheu-se na fala das batotas sobre coisas de chutar a bola com trafulhices de bastidores. 
Ter aí subterrada a minha placenta também me foi apenas feito constar e não constitui objecto de duvidas, alias, não iriam meus pais mentir-me, por simples razão de não alterar o gráfico dos seus rendimentos financeiros. “Mentir não dá dinheiro”, naquele nível.
Vivendo afogados e desafogados conforme os ordenados mensais e os seus devidos subsídios os relatos ainda disseram que entre o colo e o dorso da minha progenitora, amarrado em pano, fomos nós enquanto pessoas, conduzidos para este Tchamutete da vida, na Huila que me quis fazer adolescente da conjuntura, por razões profissionais do sr. Cassinda (meu pai).
O absolutismo familiar não me delegava poderes alguns de admitir se adorei ou não esta mudança, pois, aos pais da era não se obrigavam a estas de-mo(s)ca-cias participativas de gestão de bens próprios entre os quais o lar. 
Fulgurava em Cassinga uma promessa gigantesca de elevar a riqueza da Angola de então e de lá os poucos habitantes beneficiando dos prazeres que a industria extrativa em evolução proporcionava na pequenice do meio, um monstro no desenxergar da minha miniatura figura que se assustava à tudo.
Entre os minerais ferrosos e o ouro que se apresentava no subsolo, os meus apetites circundava-se aos mergulhos inocentes e pesca pelos rios Calonga e Kului, o ver jogar a bola entre a Jamba, Mupa e Tchamutete e a malandrice em por espelho no chão para ver se enxergava as intimidades em saias das meninas, o que me valeu uma tripla surra da professora Luduvina versus minha mãe e um par de tabefes de meu pai, sem que algum proveito tivesse conseguido dessa singela aventura. 
Solta-se o conflito armado e o regresso à base se tornaria inegociável, sem apelo nem agravo, pois fechava-se a industria mineira de Cassinga com suas imponentes máquinas pedindo ao menos para serem sucata e assim os relatórios promissores de crescimento mineiro desfizeram-se em projecções financeiras desastrosas.
Euzinho aqui sem pelo menos uma barra de ouro nos cofres de Londres como saldo desta epopeia. Fidacaixa!

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O QUE O LWENA ME FEZ.



Uma relíquia!
Hoje caras modificadas, carecas ao meio e barrigas com enchimento.
Meus mizangalas, dikuenzes da IIº Região Política Militar.
Encontrar-vos hoje no Lwena fechou o meu dia, alias que o ano acabe já agora ... porra!
Como se não bastasse a tua esposa ainda planificou matar-me positivamente com aquele funge de bagre regado com um bom palheto, isso faz-se Justino Muangala? Fiquem bem Hoko!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O AZAR NÃO CUSTA III

São Factos
Depois da ferrenha intervenção do naipe de advogados e provada a inocência, Man Barras lá foi solto e apercebeu-se que a senhora das inscrições laborais acabou por falecer no hospital devido a um enfarte supostamente provocado por ele.
Mesmo sem kwanzas no bolso, pensou ir ao óbito prestar condolências à família, bem-visto, ele andava a espreita do bónus alimentar e bebíveis grátis, pois, raramente perdia essas oportunidades fúnebres.
“Você não ouve deixa! Vais sair de lá com a cabeça a dançar fora do pescoço, não brinca”. Aconselhava a esposa.
Neste mesmo dia soube pela rádio bocas-mil que afinal o cargo de cabeça de lista era apenas para uma pessoa e foi seleccionado o vizinho de “porta e porta”, da casa da ex. mulher.
Foi-lhe dito também pelo Yambará seu filho. “Papá agora estamos bem, o vizinho cabeça (era assim que passou a ser carinhosamente tratado pelos vizinhos o homem do momento) já mandou asfaltar a rua, meteu água canalizada no bairro e como aqui a luz ainda não ende, deu a cada vizinho um gerador de 20 KVA e um Land-Cruzier Prado para irmos as compras e levar os filhos à escola, …isso só para começar.
“Azar não custa, Eu Man Barras perder um vizinho desses nunca, uns bilingues de arrependimento a ela vai mesmo me receber, ou a bem ou a mal”

Entrou em acção mandando uns bips e bipadas, para medir a reação dela...



sábado, 4 de fevereiro de 2017

O AZAR NÃO CUSTA II

São Factos|
Numa manhã de terça-feira, céu em nuvens, o homem de muita fé, foi ao centro de emprego do Kilamba Kiaxi saber se as inscrições para o cargo ainda estavam abertas.
Passa sem saudar pelo guarda homem kambuta com cara inimiga de confianças, porta aberta e manda elogios à atmosfera.
“Aqui só vejo funcionárias simpáticas e gentis isso é que é. …O atendimento é aqui minha senhora”?
“Sim pode sentar-se. Diga o nome e idade por favor. –Humm! Nome do pai e mãe? – Ok! Onde vive? - Muito bem! Que profissão pretende candidatar-se? aaaaaah, O que? O senhor quer estragar o meu emprego? Cabeça de Queee”?
A coitada da atendedora já a encostar à reforma, começou a transpirar de meteorológicos calafrios, fazia sinais pedindo água e enquanto caia em desmaios, Man Barra segurava-lhe a mão a ver se no mínimo terminasse de preencher o formulário, mas sem sucesso.
Depois da ambulância ter deixado a paciente no hospital, conduziu Man Barras à prisão por suspeita de homicídio voluntário. E agora!

O AZAR NÃO CUSTA

"Ainda continuo a achar que como cabeça de lista eu seria a aposta certa".
"Já fumaste nem Man Barras! Tu que em casa te sentam na tia, até os filhos choram no teu lugar, vais fazer o que em altas magistraturas"?!
"E achas que não! Enquanto esta profissão é nova e tem muitas vagas, entro e depois faço um curso de superação no CEFOJOR",
"Mormão, até sinto medo de encostar-te,definitivamente perdeste o medo, o que tu precisas mesmo é de uma lista na cabeça. Hoko!!


.... " ....


O AZAR NÃO CUSTA (IIº capitulo) 
São Factos|
Numa manhã de terça-feira, céu em nuvens, o homem de muita fé, foi ao centro de emprego do Kilamba Kiaxi saber se as inscrições para o cargo ainda estavam abertas.
Passa sem saudar pelo guarda homem kambuta com cara inimiga de confianças, porta aberta e manda elogios à atmosfera.
“Aqui só vejo funcionárias simpáticas e gentis isso é que é. …O atendimento é aqui minha senhora”?
“Sim pode sentar-se. Diga o nome e idade por favor. –Humm! Nome do pai e mãe? – Ok! Onde vive? - Muito bem! Que profissão pretende candidatar-se? aaaaaah, O que? O senhor quer estragar o meu emprego? Cabeça de Queee”?
A coitada da atendedora já a encostar à reforma, começou a transpirar de meteorológicos calafrios, fazia sinais pedindo água e enquanto caia em desmaios, Man Barra segurava-lhe a mão a ver se no mínimo terminasse de preencher o formulário, mas sem sucesso.
Depois da ambulância ter deixado a paciente no hospital, conduziu Man Barras à prisão por suspeita de homicídio voluntário. E agora!