sábado, 12 de novembro de 2016

MAN BARRAS NÃO ENGOLE POR NADA, ISSO AÍ, DE TRUMP!

Josefa vai ao quarto do seu tio e vê lá o que se passa, são dez da manhã e ele nem sequer se levanta da cama?
A chuva mansa de inicio de época caia e com ela vergonhosamente as últimas folhas que teimavam secar e aceitar o fim de carreira e respetiva aposentaria, para dar lugar ao desfile verdejante da flora tropical.
Sinais de falta de limpeza à entrada do anexo denunciavam ausência, demência ou morte do morador que ao toque forte dado com as dobras dos dedos sobre a porta, apenas ouvia-se gemidos de sustos; ‘wa wé Trump”!, “p´ra que só Hillary”.

Mais gente juntou-se ao anexo de Man Barras prontos para forçar a entrada se esse não reagisse à ordem; “abre a porta pá, abre ou rompemos isso”!
Anuiu ao anúncio e surgindo espantosamente magro, barbudo e desfigurado, os gritos dominavam o espaço: “Esse gajo tipo quilombo (albino) não gosta de negros, bate nas bundas de mulheres sem maneira, como é que ele vai mandar nos esteites”?  Mas tu Hillary não podias dar só um beijo no gajo e lhe meter boelo (parvo)? Agora vês os estragos desta tua fidelidade doentia?! Homem é tudo igual, vence-se seduzindo, ó miúda, saias curtas e silicone no peito, quantas vezes te avisei?! Uma falida (facilitação) no homem não faria nada mal”?

“Ouve lá Man Barras sua pulga insurreta, estamos a falar de alta política, esses truques funcionam no teu musseque (subúrbio), ouviste seu rosqueiro da treta, pensas que é com essas ideias que o mundo funciona? Quanto ao Trump julgas que vai te afectar em que? Sabes a quantas milhas de distância estamos do homem que estás a falar?
“Deves estar doente de tal forma que em vez de remédios precisas uma boa surra e uns bons clister de santa-maria com sabonete lifeboy, para te desintoxicar e te endireitar o juízo”.
“Bom, então vocês vieram ter comigo com ameaças? Um gajo estava no seu canto e vocês penetram? É isso?! Pensam que com esses vossos corpinhos de gafanhoto vão conseguir travar aquele homem quando chegar? Nem tu Gastão, nem tu. Aqueles teus treinos de ginásio do bairro estão apenas a te meter torto, julgas que vão te ajudar em algo?
“Aqui no bairro já dizem que estes teus exercícios te tiram a potencia de fazer filhos, gastas tudo nos ferros, pensas que as mulheres não falam”? Cuidado!

Isso não caiu nada bem a Gastão o jovem mais temido do bairro nestas coisas de pancada a sério e desata a briga: “Olha rapaz parto-te eu agora, sem precisares esperar que o homem chegue, tira a camisa se és pessoa visível, alias, ele nem vai dar-se ao trabalho de sujar sua mão lisa no teu corpo de meio morto, tira a camisa seu langrinhas mal pausado, parto-te os cornos”?
Enquanto num truque de judo Man Barras vê-se a metro e meio do chão onde regressa segundos depois, como uma trouxa inchada, Gastão volta a cair-lhe em cima fazendo argola com as mãos no pescoço fino do coitado.
“Larga o outro, larga, … acudam, …peguem os braços do homem, …foge Man Barras se esconde nos panos da mana Marcela”.
“Eu fugir, eu Man Barras, ...nunca, ele vai ter que me engolir, sou pequeno mas o que faço não é de bem”. Correu para a sua mochila, retira uma navalha que ameaça espectar quem se aproximasse dele, todos viraram inimigos e Man Barras ganha terreno com aquela arma branca na mão e os intrusos saem a correr.
***
Ferimentos, lágrimas, sangue e dentes partidos a mistura, o assunto foi levado à comissão de moradores que não sabia como resolver o caso, porque os emissários não sabiam onde entregar a notificação, a esse tal de Trump o homem causador de problemas. 
Os efeitos Trump tinha começado justamente naquele bairro bem distante de Washington. Hoko! 
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domingo, 6 de novembro de 2016

KIZWA GOURGEL VS JAZZMENTE

A ser propositado, a chuva miúda deu-se mal, por não ter conseguido desmobilizar um público que só estava para o seu ídolo, muito pelo contrário, fez-me amiga e tão mansa como um dia entoou Cesária Évora, na dedicatória sobre “gotas de São Pedro” que esverdeiam os campos, na versão mais linda do canto lusófono.
Quem teve de vergar-se a determinação e viu gente nos quatro cantos apôs o cessar da chuva, foi o Zodabar, espaço aberto que recebe o Jazzmente numa periodicidade bimensal.
Dois toques das baquetas alarmaram para o concerto musical, um acorde nas cordas do violão, a chamada para a entrada dos instrumentos e ocupar amenamente o seu lugar. Uma harmonia e a voz a encher o espaço hospitaleiro.
A puberdade da noite deu Kizwa Gourgel no palco, com temas bem conseguidos, e como pluma a viagem fez-se actor de um bom som, com respeito as regras mais perfeitas na matéria do cântico como arte-ciências.

O som subia e o friozinho batia, convidando ao aconchego térmico de corpos que apelavam o sabor do amor. Agasalhos sobre o dorso, ou afogar este quase incomodo companheiro ocasional num copo de whisky com gelo.
Do musico e a sua musica já sabíamos o que daria, pois Kizwa já é uma verdade se agregarmos o elemento qualidade e disciplina, pois este músico esta condenado a não defraudar pelo berço que o concebeu e o mérito de uma herança sólida, cujo baixar da guarda o tornaria pouco digno a uma geração de legendários que sempre o circundou.
Como num recalcar da mensagem faço uso desta pena, para passar um recado das figuras como André Mingas, Beto Gourgel, Teta Lando, Lourdes Vandunem na primeira pessoa: “Estás proibido de falhar, tens de manter o fio”.

Quanto ao show foi marcante o dueto com Arieth Feijó na pele de Yola Semedo a interpretar “Depois do fim” e fê-lo sem deixar sombras para argumento algum, casou bem sua voz, ela tem futuro.

Tivemos acesso a uma aula do bom canto, eu A D O R E I !


                                Dar um Click aqui   Video "Depois do Fim"

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Sons, Cantos e Contos
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Repórter/Administrador: Lauriano Tchoia


G A L E R I A
















quinta-feira, 3 de novembro de 2016

MAN BARRAS E A SUBIDA DO IMPULSO

“Pim, pim, pim, GastiTel, o seu saldo não é suficiente para completar essa ligação, faça o carregamento com urgência, deita o Samsung no contentor, ou se atira no mar se ficares nervoso e sem juízo, olha ainda tens outra opção, dança kuduro na árvore ouviste?! E se poderes mete corda no pescoço, para te levarmos no quatorze depois de 24 horas”!
"Mas ó Man Barras, isso é oração ou praga geral?1 Até já nem abres os olhos e ficas com o bumbum no ar sem antes tomar banho, viraste salamaleko de repente"?
Fazendo figura de coitado o homem mantendo-se de joelhos sem olhar para quem o perguntava, ia batendo com a palma das mãos no chão.
“Isso esta mal mizirmã, a coisa esta mesmo muito negra, sobreviver neste clima de impulsos niete, comer à toa na casa da família nem pensar, enquanto ele come, lês jornal de patas para o ar, se te derem chá é sorte, se dar coisas de borla só água da torneira, coas com pano e bebes, prepara fraldas descartáveis para não se envergonhar na rua”.
Fez uma pausa para ajudar o enquadramento das ideias denunciando nervosismo fazia gestos de quem pega um microfone e regressou aos delírios fustigantes.
“Eu Man Barras não estou a entender, como é que o mano do pelouro saiu a rua para zungar produtos do seu cliente, falar que eles devem mesmo subir. Num vimos ninguém quando subiram o pão, o mano boss da gasolina que subiu, até parece que tirou férias para as Bahamas, você já pai grande abriste o peito, nos falar que esta bom! Isso mesmo se faz? Até apanhei febre amarela de retroactivo.
A Consumitel mandou uma carta para o pai grande, em nome dos heróis tombados, dos mártires de todos os kibulus, pus lá português de saudações fraternas e revolucionárias, falei também um pouco sobre ‘o mais importante’ do kota Nguxi, acho que ainda não recebeu, senão já agia, não viram no preço do lixo como resolveu?!
Enquanto a resposta da mukanda tarda, vamos se responder só com bipes, liga só não vale. Ai wé, ai wé saldo de 900, não sei se te choro como ou como! Ndi kulila ndati a sardo?!
“Rim, rim, rim, aló Man João, essa é a ultima chamada que te faço, agora vamos só se telefonar com sinais, num ri mas muito nas conversas, pedir sal manda a criança, fazer ciúmes é cara a cara, não é com saldo do namorado, não faz adianta só, estou a ‘disconfiar’ essa carta não vai ter resposta”.


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

HOMENAGEM Á UM GRANDE HOMEM


Kamba Diame Mário Rosa ponto com, nosso ilustre companheiro e soba grande da montanha.

Tudo o que vês aqui nesta noite e que com muita honra te entregamos, é o calor desta malta humilde, rapazes e meninas de sacrifício, que se juntam para o abraço no mais puro sentimento, …e todos eles sabem bem que a vida se faz dando passos nos degraus, por vezes subindo e outras vezes descendo, mas sempre ao lado dos nossos.

É o vergar da guarda na primazia de querer estar presente, para o calor fraterno e celebrar o amor sem dikulos nem kigilas destas malambas que nos deixa olhar na incerteza temporal.

Os recados são enormes que não cabem numa só mukanda, TATIANA veio da tuga com uns carinhos caprichados de irmã e me avisa para por palavras de meiguice da CRISTINA que no luxo do seu chefe de estimação, se desdobra na emoção do aconchego paternal.

É fila a vir, são valores a considerar com EUNICE MACHADO a comandar, a JOANA DOS PEITOS no meio do cenário a controlar, a KANGUENGUE, A DJANILDA, a ROSA e a GINA a complementar o cenário de JOAQUIM LUNDA que vai. … nas Calmas!

Tem de sair uma rebita, juro que vou aproveitar. Nessas coisas de umbigadas só dá mesmo com a CARMEN porque nós os dois ‘se chegamos’ na altura.

Até a PATY MAIATO veio e trouxe teu sobrinho CRIS DE HOMEM pois não quiseram perder o boda.

Voce é bwé pai grande, nosso embaixador no desporto, que se lixe quem não gosta, nós aqui se formos chamados vamos te eleger como boss da FIFA e por favor me nomear signatário dessas coisas da bunfunfa. Eu mas!

Se fosse na músico, podes ter a certeza, que abririas a próxima temporada no Royal Plaza, foi o YURI E A YUMA SIMÃO que o disseram. Já que a cunha com patrocínio estaria garantida com o Man LUIS FERNANDO da Media Antiga que já foi Nova algum dia.

Temos juniores e juvenis a brilhar, uns jogam bem, outros se canelam nas kinamas, o MARIANO e YURI GUIMARÃES, nossa geração dos kassulinhas, acostumados a ganhar mandaram o SAPINALA p’ro KK para se dar treino com dikotas na vunda grande do vamos se ver em 2017, isseazari.


Da vanguarda pontual também temos, como estrela da equipa o ‘tal’ TCHOIA das kitotas, assessorado com firmeza pelo recém reformulado ANTONIO RENATO que infelizmente tirou voado, pois tem jogo fora, nesta jornada derradeira.

As pessoas lá no bairro não estão a entender nada, as quilumbas se perguntam “esse Mário é quem, mas?! Quem é esse Marito que lhe falaram ontem no discurso da nação”?

Não está fácil meu irmão, mas com calma chegamos lá, somos nós mesmo a se dignificar com o sorriso de verdade, anda que anda nesta vida vamos te ouvir um dia no vivência do ARMINDO LAUREANO, esse mesmo da diáspora, nosso adido cultural e plenipotenciário da montanha, muadiê que não se cala e só lhe olhamos já, pois esse já não muda, nunca, nem com massagem de giba.

Falar mais pra quê se as obras deixam trilhos, quem foi que disse que o Man Barras não te olha e abana a cabeça!

Assim só nos resta mesmo dizer: Obrigado Mário Rosa de Almeida por tudo aquilo que és para nós. HOKO!!!


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Glosário:


Kamba Diame-Meu Amigo / Malambas-Azares / Dikulos-Problemas / Kigilas-Makas / Boda-Festa / Bufunfa-Dinheiro / Kinamas-Pernas / Dikotas-Idosos / Nvunda-Luta / Kitotas-Tiros / Quilumbas-Moças / Muadié-Senhor / Jiba-Inflamação do Peito.

G A L E R I A 






















sábado, 1 de outubro de 2016

MAN BARRAS PREOCUPADO COM REGRESSA DA LOMBA.

“Então Man Euclides, voltas ou não voltas? Como é então você que és Da Lomba, voltas ou ficas mesmo ai a se achar”?
Foi assim que começou o processo filantrópico ameaçador de Man Barra, homem de sangue quente que não pactua com o sofrimento e a dor das camaradas que pedem de volta o seu cantor.
“Mas, ouve lá seu kamiudo? As pessoas a te pedirem, e você nem já. Já te puseram nas camisolas, nas rádios e tudo! Na televisão estão a te chorar com mulala, só querem você. As mboas não se fala mais, ouviram que o teu Desejo Malandro é fogoso. Nós aqui, nos tiraste todos os apetites desde o dia que vieste nos visitar”.
“Estas a trazer problemas nos lares, as mboas já não estão a pôr comida nas mesas, já não querem descansar com ‘roupa miúda’ com os maridos, desde que, com o ‘Teu jeito atrevido cantaste no Royal Plaza”.
O homenzinho caminhava e espumava pela boca, enquanto falava alto, com a mão esquerda no bolso e a direita com o punho fechado, muito, mas muito chateado, ameaçava bornos contra o vento que assobiava. Quem vinha a sua frente procurava desviar-se do caminho para evitar o pior, até que surgiu alguém que perguntou o que se estava a passar.
“Ó Berenice estas a perguntar o que? Olha a minha roupa se engomaram? Olha a minha barriga se entrou comida desde ontem. Essa greve que vocês estão a nos fazer, treinaram na China ou no Japão? Porra, isso até trás vontade de constituir alguns apetites de violências domésticas”.
“Ah ah ah, Man Barras se virem ai pai. Ou Regressa, ou para tudo. Ou Regressa, ou sai divórcios massivos, ou regressa ou nagibó. Aquele baixinho atrevido do show do mês e a mboa dele bem esperta só, tocaram no coração feminino. Desta vez vos saiu seus ‘Parrandeiros’.
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Aló Da Lomba, comue meu irmão, vens quando? … Ham? Dizes que não queres vir, porque aqui não te deram chá de pau de Cabinda no Matabicho. …Ham? Fala mais alto. …Te falaram mal nos homens? …Olha não liga isso, agora são os mesmo homens que estão a pedir o teu Regresso, se arrependeram. Estas a escutar? Você foi sempre bom rapaz, respeitosos e ‘livre serás’. …. Ham, olha, não desliga. Só quero dizer que se demorares vai nos encontrar morremos todos e vais ter que assumir todas as mboas sozinho seu ‘Falso Confidente’! Tens dois dias para vir, dois dias. R E G R E S S A.
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Kamiudo – Diminuitivo de miúdo quando aplicado o sufixo ka. Muitas linguas africanas transportam este sufixo para as linguas ocidentais. ex: (This is my kaschool boy).
Mulala – Roupa do falecido que senhores vestem ao chorar a sua perca.
Mboa(s) – Senhora, esposa.
Nagibó – (Tradução desconhecido) mas expressa-se batendo a palma da mão numa das coxas para expressar desprezo.
Matabicho – Pequeno almoço.
Pau de Cabinda – Casca de árvore afrodisíaca.