quinta-feira, 7 de junho de 2018

DON KIKAS O MULOJI DA NOSSA ERA


Dom Kikas é a retórica de musico cuja canção se impôs no Tempo.

Sua voz mística clamou por paz, plantou o amor e envolveu-se de corpo e alma no movimento que contribuiu para um novo paradigma do nosso ressurgimento musical.

Passados 32 anos dos ditos mil novecentos e cabuza estava aí o dom Kikas no seu maior, intacto, pois, o homem não envelhece, o ginásio lhe enfeitou, estava tal qual o vinho, quanto mais velho, mais maduro fica.

Um artista com truques de mulogi, previa o futuro nas suas letras e canto, o homem do Sumbe não só se impos no pensamento, mas também profetizou sobre coisas que se vão ajustando no tempo.
Lavrou conversa com adultos e abordou o kandengue cujo pranto celebrava uma terra que está(va) male, e muito malé.

Falar de Don Kikas entre o vem, vai-se vendo coisas que neste vai alguém (e não são poucos) vão ficando bem. Dá para ver que o miúdo sabia das coisas e como diz Dog Murras, “se a cabeça dele vale, deixa bumbar”.

O músico surgiu num ambiente de guerra instalada, o cenário desenhava-se qual Cartago em Chamas, bombas assobiando em Kahama, no Kuito e Cangumbe e quando tudo parecia ter um fim, a profecia do cantor bateu outra vez, na retorica do conflito, "esta outra vez male male".

O Show que nos ofereceu no Royal Plaza arrancou a subir e entre convicções, confissões e insinuações a sala toda se tornava sensual, coisa própria de camusumbes, coisas de quem prefere dar pancadas espalhafatosas no ‘lacratão”.

O show não foi somente bom, o show foi bom ...e de mais, banda afinada e declarações de amores à organização, entenda-se Nova Energia, esta que no final de tudo, nunca nos habituou a fazer diferente, alias estão proibidos de falhar.

Convidados a medida do cantor, Carla Monteiro com o seu potencial vocal e um Pato atrevido a nos mandar para os anos noventas e picos, o homem tem fibra e vigor.

Tivemos um show proibido de acabar, garinas ao delírio pelo sweger do cantor, a sala rendeu-se ao talento deste filho preocupado com os seus e trazendo alegrias. Valeu meu mano, ...um dia mais.

Fotos: Show do Mês
Texto: Lauriano Tchoia
Pagina: Sons, Cantos e Contos
http://contosasp.blogspot.com/

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G A L E R I A



































O próprio emocionado












terça-feira, 15 de maio de 2018

KINA, JOANA E O GENERAL


Eram 9H00 da manhã, Kina e Joana cruzam-se, uma a caminho do salão para tratar o cabelo e outra com cara de quem não tivera passado a noite em casa.
Talvez estivesse a vir de um óbito, mas os brincos grandes e o baton desgastado desmentiam esta teoria.
“Olha Joana, estas a ver aquele General do ginásio, aquele geitosinho de cinquenta anos? (sem aguardar resposta) …já esta na minha cola, …brincas! Vai passar mal, não sabe com quem se meteu, este ano tem de sair carro e casa”.
Enquanto conversam um cão chega a correr e passa entre as duas que se espantam com medo de uma mordedura.
Passado o susto, retomam a conversa. “Tens sorte Kina, …olha leva o gajo á minha festa, sabes que faço anos daqui a quatro dias e partimos o braço ao gajo, aproveita enquanto as coisas estão quentes, esses homens só vão assim”
Bem pensado e sem vacilar fez a ligação. “Aló amor, olha beibi, a minha amiga faz anos e convidou-nos para a festa, topas”?
O acenar da cabeça e o sinal do dedo polegar diziam que o homem tinha confirmado.
“Olha a multa para a festa, visto que tu és general, fofo, trás só cinco garrafas de Moët & Chandon, pagas também o bolo e eu preciso de cem mil kwanzas para a minha roupa, não posso ir mal-arranjada e te fazer envergonhar”. A cabeça e o dedo polegar de Kina a feliz namorada voltaram a dizer que o homem confirmará os encargos e parecia dizer com gestos, que até um boi-no-espeto ele prometera.
Já na véspera da festa depois de outras compras feitas, as duas amigas foram ao encontro do general no Restaurante Proteinas conhece a Joana e pela conversa se arrepende não ter conhecido esta primeiro.
O homem saca um cheque e entrega com um sorriso e um piscar de olhos, elas dirigem-se ao Banco Bufunfas, sem ninguém na fila, entregam o cheque e o assistente informa que infelizmente a conta não tinha saldo suficiente.
Poderia ter sido engano do General, a homem do seu nível não falta dinheiro. Kina pega o telefone e liga, entretanto a voz magnifica da operadora dizia que o numero estava desligado ou fora da área de cobertura da rede.
Foram assim um, dois, três dias e ela que nunca o vira fardado e apenas o conhecia por General Perigoso.